Ary Graça Filho afirma que foi traído e explica denúncias

Presidente da Federação Internacional de Vôlei sugere um complô para tomar o controle da entidade

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), Ary Graça FIlho, quebrou o silêncio e afirmou ter sido traído, além de sugerir um complô para tomar o controle da entidade e dar sua versão sobre as denúncias feitas pela ESPN Brasil.

Em uma série de reportagens, a emissora colocou em cheque a relação entre CBV e Banco do Brasil. Segundo a série, R$ 20 milhões foram pagos pela entidade após a renovação do último contrato com o banco (valor estimado no mercado em R$ 350 milhões por cinco anos), para as empresas S4G (de Fábio Azevedo) e SMP (de Marcos Pina), que intermediaram o negócio. O primeiro trabalha no alto escalão da FIVB, enquanto o segundo deixou a superintendência da CBV após as reportagens, mas contesta os valores. O presidente da FIVB não nega a participação dos dois.

"Não foram R$ 20 milhões e não é comissão. Vou explicar: a oferta do Banco do Brasil girava em torno deR$ 20 milhões a 24 milhões por ano para a quadra, e mesmo valor para a praia. Combinei o seguinte com o Fábio, em contrato. Se você aumentar isso de R$ 30 milhões a R$ 50 milhões,sua remuneração por desempenho será de R$ 1 milhão. Se ele arrumasse R$ 49 milhões, era R$ 1 milhão para a empresa dele. Se foi R$ 31 milhões, ganharia o mesmo. Mas ele mais o Pina aumentaram em 70% o valor, assinando o maior contrato da história do esporte olímpico", diz o dirigente ao 'Lance!'.

"Não. R$ 2 milhões pelo total e mais nada. Não tem nada de pagamento anual. O trabalho dele, neste caso, foi encerrado assim que o contrato do Banco do Brasil foi fechado. O contrato dele [Pina] era diferente. Como ele era encarregado por prospectar, além de gerir e estar com todos os patrocinadores durante o prazo do contrato, ele ganharia R$ 2 milhões por ano, já que tinha o acompanhamento do projeto, diferentemente do Fábio. Em cinco anos, Pina ganharia R$ 10 milhões. Paguei R$ 2 milhões até agora e mais nada. Mas era para ele ganhar bem mais. O contrato da empresa do Pina previa pagamento de 20% sobre os valores fechados de patrocínio. Fiz este contrato, mas depois mudei", completa.

O presidente também afirmou que "um grupinho lá" o chantageou durante oito meses, mas não afirmou quais pessoas são, apesar de dizer que nunca foi chantageado diretamente por esse grupo. Ary ainda diz que os chantagista querem "tomar o poder". "A alegação deles é que é para moralizar. Em tese, moralizar o que está moralizado", afirma.

Briga pelo poder

Para Ary, existe uma briga pelo poder. "Me pegou de surpresa. Não imaginava que após a minha saída fosse acontecer isso. Houve uma briga pelo poder. A verdade é essa. Não só interna, mas com inspiração externa. Como diz o velho ditado: “o gato sai, os ratos fazem a festa”, de uma maneira que eu nunca imaginei. Deixei estrutura bem montada, pensei que tudo iria correr tranquilamente. Não foi o que aconteceu. Houve essa briga interna e uma aproveitamento deste pessoal para tomar o poder", conta.

Bernardinho

O presidente da FIVB também desmentiu que tenha uma antipatia por Bernardinho, que segundo o site 'Máquina do Esporte', teria sido um dos responsáveis pelo dossiê. "Uma corrente diz que temos antipatia mútua, mas não é verdade. Eu a vida inteira gostei e continuo gostando dele. Se da parte dele o sentimento não é o mesmo, eu não sei. Mantivemos um relacionamento profissional, cumprindo o combinado, tudo certinho. O nome dele ter surgido, para mim, é uma surpresa. Gostaria de ter confirmação disso", afirma.

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