Primo de Frederico Flores é absolvido de acusações de calúnia

A irmã do líder da quadrilha que assassinou dois empresários no Sion em 2010 entrou com uma ação contra o primo, já que ele havia afirmado que ela teria envolvimento nos crimes do irmão; O primo dos Flores foi absolvido das acusações de calúnia e difamação

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Arlindo responde por homicídio qualificado, formação de quadrilha, extorsão e ocultação de cadáver
ALEX DE JESUS 10/09/2010
Arlindo responde por homicídio qualificado, formação de quadrilha, extorsão e ocultação de cadáver

A irmã de Frederico Flores, Fabiana Costa Flores de Carvalho, entrou com uma ação contra o primo Carlos Alberto Menezes de Calazans, alegando que sofreu calúnia e difamação já que Carlos, em seus depoimentos, a incluiu na morte dos empresários assassinados pela quadrilha liderada pelo irmão dela, Frederico Flores, no bairro Sion, região Centro-Sul da capital. A 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu absolver Carlos das acusações. A decisão foi divulgada nessa segunda-feira (24).

Fabiana disse que nos meses de abril e maio de 2010, o primo dela a acusou de ter sido cúmplice nos crimes do irmão. Carlos disse que ela adicionou entorpecentes na bebida dele. Em novembro de 2010 Fabiana apresentou uma queixa-crime contra o primo por calúnia e difamação.

Em fevereiro do ano passado, o juiz Marco Aurélio Chaves Albuquerque, da 8ª Vara Criminal de Belo Horizonte, julgou o pedido improcedente e absolveu Carlos. Fabiana, então, entrou com um recurso pedindo que o primo fosse condenado mediante provas de que ele teria a intenção de caluniá-la e difamá-la. Mesmo assim a decisão foi mantida na segunda instância, já que, segundo a relatora do recurso, desembargadora Denise Pinho da Costa Val, “para a caracterização do crime de calúnia é preciso que um fato definido como crime seja imputado falsamente a uma pessoa por alguém que saiba que a acusação é mentirosa. Em outras palavras, deve estar presente a vontade de denegrir, ofender, de causar dano à honra do indivíduo”.

Ainda segundo a magistrada, foi constatado que Carlos não teve a intenção de caluniar Fabiana, mas “apenas se limitou a comunicar o fato criminoso à polícia e, assediado pela imprensa, devido à repercussão que o caso teve na mídia, narrou os fatos de acordo com a impressão obtida pelas circunstâncias e forma em que se deu o ocorrido”, considerou.

“Bebida batizada”

De acordo com a desembargadora, reportagens veiculadas por diversos telejornais mostraram que Carlos apenas repetiu sua versão: no dia em que a prima lhe telefonou pedindo ajuda para conseguir um emprego, eles combinaram de se encontrar em um bar. Saindo do estabelecimento, ele pegou uma carona com ela e os dois foram para a garagem de um prédio quando, abordado por suspeitos encapuzados, ele foi vítima de extorsão. Carlos declarou que suspeitava que alguém tivesse colocado alguma coisa na sua bebida neste dia.

A magistrada afirmou que mesmo que a participação de Fabiana não tenha sido comprovada, naquele momento havia indícios para que Carlos acreditasse no envolvimento da prima. Com base nisso, a decisão foi mantida.

Relembre o caso

Os sócios Rayder Rodrigues e Fabiano Moura foram sequestrados e levados para um apartamento no bairro Sion, em abril de 2010. Eles estariam envolvidos em esquema de lavagem de dinheiro e foram extorquidos pela quadrilha liderava por Flores. Após obter dinheiro, o grupo assassinou os empresários. Os corpos foram encontrados carbonizadas em uma mata em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. As cabeças e os dedos estavam cortados.

Além de Arlindo Lobo, Frederico Flores e Renato Mozer, os outros cinco acusados são Adrian Grigorcea, André Bartolomeu, Luiz Astolfo, Sidney Beijamim e Gabriela Costa. O ex-policial Mozer foi condenado em 2011 a 59 anos de reclusão, em regime fechado. Frederico Flores foi condenado a 39 anos de prisão em regime fechado. 

Com informações do TJMG. 

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