Advogado celeste comenta decisão da Conmebol: 'Infrator foi premiado'

Theotônio Britto, que representou o Cruzeiro no caso de racismo sofrido por Tinga disse que já esperava multa branda da Conmebol para o Real Garcilaso

iG Minas Gerais | FREDERICO RIBEIRO |

Vista externa do Centro de Convenções e Museu da Conmebol
CONMEBOL/REPRODUÇÃO
Vista externa do Centro de Convenções e Museu da Conmebol
O caso de racismo sofrido pelo volante Tinga foi julgado na tarde de segunda-feira e o Real Garcilaso passou quase que ileso pelo comportamento de sua torcida. A Conmebol aplicou multa de R$ 28,7 mil (12 mil dólares) aos peruanos. Para o advogado que representou o Cruzeiro no caso, Theotônio Britto, o infrator acabou saindo premiado do julgamento, por conta da falta de severidade da entidade máximo do futebol sul-americano. O advogado se mostrou, no entanto, nenhum pouco iludido com a expectativa de ver a Conmebol tomar uma atitude mais pesada. Theotonio afirmou que a instituição agiu dentro do que dela se espera. "Pra falar a verdade, com toda a sinceridade, ninguém esperava outro tipo de punição por parte da Conmebol, mesmo que o caso pedisse uma atitude severa. O objetivo da punição em episódio de racismo é de teor educativo, mas uma pena de 12 mil dólares é um valor ínfimo e que acaba premiando o infrator", disse o advogado, ao Super FC. Theotonio havia pedido uma punição mais pesada para o Real Garcilaso, seguindo na linha de pensamento que a questão envolve atitudes educativas. Em fevereiro, dias após o jogo entre Cruzeiro e Garcilaso, o advogado dizia que a Raposa havia pedido a exclusão do time peruano ou a perda de pontos da equipe de Cuzco. "Temos que lembrar que uma atitude racista é crime. Por isso a punição tinha que ter sido maior, tinha que ser dura. A multa da Conmebol passou léguas disso (perda de pontos ou exclusão do Real Garcilaso)", afirmou. Desinteresse. A punição da Conmebol para o Real Garcilaso é menor do que uma multa dada ao Cerro Porteño na Libertadores de 2013 por conta de atraso para iniciar a partida. Naquela ocasião, os paraguaios pagaram 14 mil dólares pela infração. Esse dado comprova o desinteresse da entidade em tratar a questão do racismo. Na sua nota oficial, publicada em seu site, após o veredito do Tribunal de Disciplina, a Conmebol disse que o Real Garcilaso iria jogar com portões fechados em caso de uma futura atitude racista de sua torcida. "Acho que a Conmebol mostrou um grande desinteresse em tratar essa questão do racismo.  Como prova disso é que no jogo o juiz nem chegou a relatar o comportamento da torcida na súmula da partida", completou Theotonio Chermont de Britto.   Sem recurso. O Cruzeiro, ao que tudo indica, não deverá se manifestar mais sobre a pena da Conmebol ao Garcilaso. Perguntado se poderia entrar com recurso em relação à decisão de aplicar multa apenas financeira aos peruanos, Theotonio Britto informou que ainda conversaria com o presidente Gilvan de Pinho Tavares para saber quais as intenções celestes.  

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