Autuori aponta "bola no chão" como chave para retomada do bom futebol

Para treinador, implementação de uma nova forma de jogo foi necessária para manter o Atlético no caminho das vitórias

iG Minas Gerais | GABRIELA PEDROSO |

Paulo Autuori passa últimas instruções ao plantel atleticano antes de importante duelo frente ao Zamora
BRUNO CANTINI/ATLÉTICO
Paulo Autuori passa últimas instruções ao plantel atleticano antes de importante duelo frente ao Zamora

A vitória de goleada do Atlético sobre o América, no último domingo, significou para jogadores, comissão técnica e torcida alvinegros muito mais do que a garantia de uma boa vantagem nas semifinais do Campeonato Mineiro. O placar de 4 a 1 em um dia que o grupo do Galo se mostrou inspirado - como o próprio goleiro Victor fez questão de ressaltar, com "a cara do Atlético" - foi um grande indicativo de que o time, mesmo com uma nova filosofia, é capaz de voltar a apresentar o bom futebol que o levou à conquista das Américas e encantou sua torcida. A exibição no clássico no estádio Independência foi avaliada por muitos como a melhor  na temporada 2014. Até então, o time mineiro, que ganhou uma fama de praticamente imbatível no Gigante do Horto, não vinha mostrando o bom futebol dos anos anteriores, e, mesmo com as vitórias, vinha sendo alvo de duras críticas. Após a vitória sobre o Coelho, o técnico Paulo Autuori, no entanto, acabou revelando o que, na sua opinião, foi a chave para a equipe para reencontrar o bom futebol: jogar com a bola no chão. "Não é fácil. [Jogo aéreo] É um hábito que a equipe criou, com uma maneira de jogar que foi extremamente vitoriosa. Isso fica na cabeça de todos, inclusive, ou principalmente, dos jogadores. Mas temos de convir que, hoje, as equipes vêm aqui sabendo como o Atlético joga e a maneira como tirou partido no passado desse jogo. Isso vira uma 'receita'. O adversário vem mais fechado", explicou o treinador, lembrando o estilo de jogo aéreo adotado por seu antecessor. Autuori revelou, inclusive, que teve uma conversa com os seus comandados para mostrar a importância de adotar um jogo com mais toque de bola e veloz. "Eu falei hoje, em um papo com os jogadores, o seguinte: 'Vocês estão pagando o preço por terem ganhado a Libertadores. Ou seja, as equipes vão vir aqui fechadas. E a chave para evitar isso e não facilitar o sistema defensivo dos adversários não só de Libertadores, mas os que virão no Brasileiro, é essa mobilidade, essa dinâmica, para criar espaços e fazer um jogo mais agudo'", completou. O treinador alvinegro tem feito a sua parte e trabalhado, sistematicamente, a nova forma de jogo do Atlético. Para Autuori, o time tem qualidade suficiente para jogar com a bola no chão, tendo provado isso na vitória sobre o América. O técnico, porém, rechaça o rótulo de que a mudança seja resultado da adoção de uma "filosofia Autuori de jogo". "A questão não é a minha cara. Eu trabalho com conceitos de futebol, não são meus conceitos. São conceitos que tenho adquirido ao longo da minha carreira, que não é curta. Acredito no futebol bem jogado, que você tenha qualidade de jogo, ponha a bola no chão, e é isso que a gente tem procurado fazer nos treinamentos. Como eu disse, não é fácil, porque [o outro jeito de jogar] já é hábito e um hábito vitorioso. Detesto esse lance de 'já tem a sua cara?'. Acho que se tiver sempre 'uma cara' quer dizer que só sei trabalhar de uma maneira, e eu trabalho para o clube", concluiu.

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