Homenagens a Claudia, mãe, mulher, trabalhadora, crescem

Redes sociais se tornam espaço para protesto da população indignada com violëncia sem fim

iG Minas Gerais |

Quem se interessar em enviar uma ilustração pode acessar o site thinkolga.com
Quem se interessar em enviar uma ilustração pode acessar o site thinkolga.com

Dez dias se passaram desde que as imagens chocantes da servente Claudia Silva Ferreira sendo arrastada por uma viatura policial no Rio de Janeiro ganharam o mundo, mas, nas redes sociais, parece que o caso foi ontem. Manifestações de solidariedade a Claudia e seus familiares – combinada a um sentimento de indignação pela violência sem fim que afeta principalmente as pessoas pobres – se multiplicam na internet. Criado há quatro dias pelo site de mobilização pelas causas femininas “think Olga”, movimento “100 vezes Claudia” já havia recebido, ontem, mais de 160 ilustrações de artistas de todo o país em homenagem a ela. “A mulher arrastada pela Polícia Militar tinha nome – Cláudia Silva Ferreira. Cláudia também tinha família. E sonhos, coragem, dores e medos como qualquer ser humano”, diz o enunciado da campanha., que prossegue. “As denúncias da barbárie ocorrida são importantes e elas não devem cessar. Mas fugir do sensacionalismo e humanizar esse momento também é. Por isso, nos propusemos a retratar Cláudia com mais carinho do que o visto nos últimos dias”. A direção do site pretende enviar algumas das imagens aos familiares da servente. A indignação contra casos recorrentes de violência policial seguida de impunidade motivou a advogada criminalista e professora Cláudia Silva Ferreira a criar um manifesto no site “Blogueiras Feministas”. Diz ela: “Vi tanta gente gritar por Santiago Andrade, o cinegrafista morto em uma manifestação. Queria vê-los gritar por Claudia Silva Ferreira. Mulher negra, 38 anos, auxiliar de limpeza num hospital, mãe de quatro crianças que ficaram orfãs, que cuidava de outros quatro sobrinhos para a irmã ou cunhada poderem trabalhar. Queria saber porque seu corpo vale menos ou porque poucos sabem seu nome”, diz a criminalista. Vitimas anônimas. Pouca gente sabe, mas a operação policial no Morro da Congonha, em Madureira, no Subúrbio do Rio, no dia 16 de março, deixou mais vitimas além de Claudia: um morto e um ferido. Mas, diferentemente dela, a tragédia pessoal deles não ganhou publicidade, pois não foi filmada.

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