Menos diálogo e mais viagens

Presidente Dilma Rousseff visitou mais cidades neste ano do que no mesmo período em 2013

iG Minas Gerais |

Predileto. Dilma entregando unidades do Minha Casa, Minha Vida no Ceará: roteiro intensificado
Roberto Stuckert Filho/PR - 19.3.2014
Predileto. Dilma entregando unidades do Minha Casa, Minha Vida no Ceará: roteiro intensificado

Brasília. Entre 1º de janeiro e 20 de março de 2014, a presidente Dilma Rousseff visitou, em agenda oficial, 20 cidades brasileiras. O número é o dobro do registrado no mesmo período de 2013. Em contrapartida, levantamento feito pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, mostra também que, neste início de ano eleitoral, a presidente recebeu menos empresários e políticos para reuniões na comparação com o ano anterior.

Os eventos preferidos da presidente durante as viagens de 2014 são formaturas do Pronatec, entrega de unidades do Minha Casa, Minha Vida e de máquinas a prefeituras pelo PAC Equipamentos, o que tem gerado críticas da oposição. “É uma agenda presidencial medíocre. Nunca vi o (Barack) Obama ou o (François) Hollande distribuindo tratores e caminhões”, disse o deputado Marcus Pestana, presidente do PSDB-MG, no fim de fevereiro, durante visita de Dilma a seu Estado.

Enquanto aumentou o espaço para viagens pelo país na agenda da presidente, diminuiu o tempo destinado a encontro com empresários e políticos da base aliada, que têm reclamado de “dificuldade de interlocução” com a presidente. Em 2014, Dilma fez apenas duas audiências com representantes do setor produtivo – recebendo no Planalto os presidentes da Cosan, Rubens Ometto, e da Copersucar, Luís Roberto Pogetti. No mesmo período em 2013, foram 21 encontros.

Entre os que tiveram audiência com Dilma no ano passado estão pesos pesados do PIB como os banqueiros Emílio Botin, do Santander, e Roberto Setubal, do Itaú Unibanco. Foram recebidos ainda os empreiteiros Marcelo Odebrecht e Sérgio Andrade, e Eike Batista.

Neste ano, além do encontro com Ometto e Pogetti, Dilma se reuniu com empresários apenas em períodos de viagens para o exterior, como no Fórum Econômico Mundial, em Davos na Suíça. “Acho que ela parou de receber porque estava dando errado. Todo mundo que ela recebia, seja empresário ou político, saía insatisfeito” afirmou um empresário, que preferiu manter o anonimato.

Contrariados, empresários não fogem da comparação com a gestão de Lula, que, segundo eles, era mais aberto ao diálogo, mesmo que nem sempre levasse em conta o que havia sido conversado na hora de tomar decisões.

Uma fonte em Brasília, que também não quis se identificar, diz que o fato de Dilma centralizar as decisões atrasa o andamento dos processos. “Ela não conversa. O ministro conversa e ela desautoriza. Aí volta tudo à estaca zero”, reclama. Há ainda a impressão de que Dilma não gosta do empresariado e que parte dos problemas enfrentados vem da falta de habilidade em escutar.

Pernambuco

Fogo. O PT decidiu evitar candidatura própria para a sucessão estadual em 2014, e vai apoiar o nome do senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE) para o Palácio do Campo das Princesas.

Rota alterada

Cancelada. A presidente Dilma Rousseff desistiu de visitar duas das seis cidades para onde viajaria essa semana. Pela nova previsão de agenda divulgada pelo Planalto, Goiânia (GO) e Araçatuba (SP) ficaram de fora do roteiro de Dilma.

Novo. Hoje a presidente vai a São José dos Campos (SP) e depois a Bauru (SP). Nas duas cidades, Dilma participa de eventos do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).

Programação. Amanhã e quinta-feira, ela tem despachos internos em Brasília. Na sexta, a presidente viaja para Mato Grosso, onde entrega unidades do MCMV em Várzea Grande e, depois, faz visita inaugural ao estádio Arena Pantanal, construído para a Copa.

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