Mineroduto separou propriedades no meio

Obra colocou o gado da família Dalva Linhares Lage Rolla de um lado e o pasto do outro

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Terreno de Dalva Rolla ficou com o gado de um lado e a água do outro
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Terreno de Dalva Rolla ficou com o gado de um lado e a água do outro

Os atingidos pela obra do projeto Minas-Rio, da Anglo American, querem que os órgãos ambientais não concedam as licenças de operação para o empreendimento enquanto os problemas sociais, ambientais e conflitos territoriais não forem solucionados. No fim de fevereiro, os moradores das comunidades afetadas em Conceição do Mato Dentro divulgaram a “Carta Aberta das Comunidades Socialmente Atingidas à Sociedade”, na qual enumeram os problemas causados pelo empreendimento e pedem solução antes do início das operações.

Há dez dias, a mobilização veio de São Domingos do Prata, onde uma comissão de atingidos, os 11 vereadores da Câmara Municipal e o prefeito Fernando Rolla assinaram documentos que foram protocolados no Ibama e no Ministério Público Federal (MPF), em Belo Horizonte, pedindo o adiamento da concessão da licença de operação. “É a nossa última chance para conseguir que eles reparem os danos que causaram”, diz a vereadora Maria Paula Moraes, que coordenou o movimento político na cidade. Agora, ela pretende percorrer outros municípios pedindo que os vereadores também se manifestem de maneira contrária à concessão da licença.

Entre os problemas causados pela obra, está o da família de Dalva Linhares Lage Rolla. O mineroduto partiu ao meio a fazenda de 166 hectares, em São Domingos do Prata. A divisão acabou com a estrada que dava acesso à parte mais alta da propriedade, onde agora só é possível chegar a pé, e afetou o rebanho bovino. “O gado ficou de um lado e o pasto do outro”, reclama. Sem pasto, o rebanho foi reduzido em 30%. Segundo ela, três bezerros já morreram depois de cair do barranco tentando alcançar o pasto.

Os animais que ficaram na parte mais baixa da propriedade têm dificuldade até para beber água, porque a represa que serve de bebedouro para os bezerros está sofrendo com o assoreamento provocado pela obra. “Na última vez que choveu, tirei sete caminhões de terra lá de dentro”, conta Flávio Rolla, marido de Dalva.

O corte no terreno tem dois quilômetros de extensão, quase 50 metros de altura e partiu ao meio também uma montanha. O casal recebeu uma indenização de R$ 120 mil, depositada em juízo. “Não paga um décimo do nosso transtorno”, diz Flávio.

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