Campos e FHC defendem CPI

Para presidenciável do PSB, se a empresa não explicar as razões de contratos, é preciso apurar

iG Minas Gerais |

Fernando Henrique Cardoso disse que, agora, é a favor da CPI
NILTON FUKUDA/ESTADÃo
Fernando Henrique Cardoso disse que, agora, é a favor da CPI

Brasília. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato do PSB à sucessão presidencial, defendeu, ontem, a convocação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar irregularidades na Petrobras. Desde o início do mês e, com mais frequência, a partir da eclosão dos escândalos envolvendo o nome da petrolífera, o socialista cobra esclarecimentos sobre os rumos da empresa.

Ontem, ao ser questionado sobre a dispensa do pagamento de uma dívida da estatal venezuelana PDVSA com a refinaria Abreu e Lima, que está sendo implantada pela Petrobras em Pernambuco, o socialista afirmou: “Na semana passada, nossos senadores pediram no Congresso Nacional a presença de representantes da Petrobras. Seja do conselho ou da sua direção executiva, para esclarecer tudo isso. Sabemos que há ações na Justiça referentes a essas questões. Caso os esclarecimentos não sejam suficientes, aí nós entendemos que vai ser o caso efetivamente de se pedir uma CPI”.

O governador negou que suas críticas tenham a ver com a sucessão. “Não queremos eleitoralizar esse debate, mas tratar da questão com muita tranquilidade. É preciso ter muito cuidado para não prejudicar ainda mais a Petrobras, que já foi muito prejudicada por tudo que aconteceu. E nós não podemos ficar sem respostas adequadas. A cada dia, temos mais uma surpresa”, ressaltou.

FHC. Já o ex-presidente Fernando Henrique, em palestra no Rio de Janeiro, afirmou ontem que uma possível CPI sobre a Petrobras não é necessária para arranhar mais a imagem da presidente Dilma Rousseff e que, para isso, o PAC já bastaria. “Eu acho que não precisa de mais isso para arranhar a imagem dela como gestora, o PAC basta”, afirmou.

Fernando Henrique também justificou a sua mudança de opinião sobre a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar os contratos e os gastos da Petrobras. Quando o caso veio a público, o ex-presidente não achou necessária a formação de uma CPI. Depois, mudou de opinião.

“Eu pensei que fosse uma coisa mais simples e não é, é mais complicado. Eu acho que tem que ser apurado, e a própria presidente deu o pontapé inicial. Ela não defendeu o que foi feito”, constatou o ex-presidente.

Sobre as eleições, o político do PSDB, partido de oposição ao governo, afirma que não sabe o quanto a CPI pode influenciar nas eleições mas que é fundamental ter a investigação.

“Eu não sei até que ponto isso terá influência. Eleição é sempre diferente, mas as pessoas precisam saber o que é feito com o dinheiro do contribuinte”, afirmou antes de ser questionado sobre se a presidente sabia das irregularidades. Depois, respondeu: “Não acredito”.

Movimentação

Atos.  O PSDB está articulando com os partidos de oposição no Congresso a organização de diversos atos “em defesa da Petrobras”. Discussão. O roteiro das atividades será discutido hoje em uma reunião comandada pelo senador Aécio Neves, provável candidato do PSDB à Presidência, e que contará com a participação do Solidariedade, DEM, PPS, PSB e PSOL.

Onde. As manifestações ocorrerão no Rio de Janeiro, onde fica a sede da Petrobras, em Brasília, no Congresso, e em São Paulo. Assinaturas. A oposição conta com a base rebelde para obter as assinaturas necessárias para instalação de uma CPI destinada a apurar os eventuais prejuízos da Petrobras.

O que disseram

“Se o partido e as lideranças do PSDB no Congresso acharem necessário, não vou me opor.”

José Serra - Ex-governador de SP - PSDB  

“Eu acho que não precisa de mais isso para arranhar a imagem dela como gestora, o PAC basta.”

Fernando Henrique - Ex-presidente da República - pSDB  

“Caso os esclarecimentos não sejam suficientes, aí nós entendemos que vai ser o caso efetivamente de se pedir uma CPI.”

Eduardo Campos - Governador de Pernambuco - PSB

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