Déficit em conta corrente é menor que previsto pelo BC

A previsão para o déficit em conta corrente para março é de US$ 5,8 bilhões, inferior aos US$ 7,4 bilhões de fevereiro, de acordo com chefe do Banco Central

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel disse nesta segunda-feira (24), que o País tem indicadores externos robustos. Ele explicou também que o déficit em conta corrente de fevereiro, de US$ 7,4 bilhões, foi recorde para fevereiro, mas inferior aos US$ 8 bilhões previstos no mês passado, na última divulgação de dados do setor externo.

Segundo Maciel, o resultado do mês ficou abaixo do previsto porque a balança comercial não reagiu como o esperado. Ele destacou também que outros indicadores apresentaram sinais de moderação.

"Temos alguns sinais de desaceleração ainda moderados em algumas contas importantes de serviços, em particular de viagens internacionais, que mostram recuo na comparação interanual. Além disso, a conta de renda também mostra uma perda de fôlego nas remessas de lucros e dividendos", explicou.

A previsão para o déficit em conta corrente para março é de US$ 5,8 bilhões, inferior aos US$ 7,4 bilhões de fevereiro, de acordo Maciel.

Ele adiantou que o déficit em viagens ao exterior em março é de US$ 646 milhões até o dia 20. Segundo ele, as receitas estão em US$ 296 milhões e as despesas em US$ 942 milhões. Ele destacou que as despesas deste mês devem ser inferiores às observadas em março de 2013 por conta da menor quantidade de dias úteis no terceiro mês de 2014, impactado pelo feriado de carnaval.

Despesas internacionais

O chefe do BC avaliou ainda que as despesas internacionais com serviços ficaram estáveis em fevereiro na comparação com o mesmo mês do ano passado, pela média diária. Ele lembrou que o resultado total apresentou aumento devido à diferença nos dias úteis entre um mês e outro. "Pela média diária, há uma queda de 4% no fluxo de serviços do primeiro bimestre em relação ao mesmo período de 2013", acrescentou.

Esse movimento, destacou Maciel, se deve a uma queda de 6% na conta de transportes, devido ao desempenho do comércio exterior e de uma redução também de 6% na conta de viagens ao exterior nos primeiros dois meses do ano, devido ao câmbio. "No ano passado, a situação era mais propícia em termos de moeda estrangeira. O dólar médio estava em R$ 2,03 em janeiro e em R$ 1,97 em fevereiro. Este ano estamos com R$ 2,38 na média dos dois meses. Mas outros fatores continuam estimulando as viagens, como os crescimentos da massa salarial e da renda", completou.

Fluxo

Maciel adiantou ainda que o fluxo cambial de março até o dia 20 está positivo em US$ 5,095 bilhões. No mês até o dia 20, a conta comercial é positiva é US$ 262 milhões, decorrentes de US$ 10 546 em exportações e US$ 10,284 bilhões em importações.

Já a conta financeira está positiva em US$ 4,833 bilhões, sendo US$ 23,896 bilhões em entradas e US$ 19,064 bilhões em saídas. Segundo Maciel, até o dia 20, os bancos estavam vendidos em US$ 13,207 bilhões. Em fevereiro, as instituições haviam fechado o mês vendidas em US$ 18,597 bilhões.

IED

Para o BC, os ingressos de Investimento Estrangeiro Direto (IED) seguem dentro do esperado e de maneira suficiente para, junto com outras formas de capital - como empréstimos de longo prazo e investimentos em ações e títulos de renda fixa -, cobrir o rombo nas contas externas. Segundo Maciel, o ingresso de IED em março até dia 20 está em US$ 2 bilhões e a projeção para o mês é de US$ 3,2 bilhões.

Maciel ainda afirmou que o acesso aos mercados externos está favorável para as empresas brasileiras e que a condição de financiamento das contas externas é confortável.

O chefe do BC explicou que a maior parte do ingresso de IED no mês passado teve como destino participação em capital. De US$ 4 1 bilhões no mês, US$ 3,3 bilhões chegaram para esse fim. Cerca de US$ 870 milhões de IED que ingressaram no País vieram como empréstimos intercompanhia.

Maciel avaliou que o ingresso de recursos para ações "tem andado de lado", sem apresentar grandes oscilações entre um mês e outro. Para a renda fixa, a avaliação dele é de que esses fluxos têm ocorrido de forma mais significativa desde o segundo semestre do ano passado.

O técnico do BC defendeu ainda que não há problema de confiança em relação ao Brasil. Tanto o acesso das empresas brasileiras ao mercado de crédito no exterior quanto o ingresso de capital estrangeiro para investimentos em ações e renda fixa têm ocorrido, na visão dele, de maneira adequada.

Saldo comercial

Maciel explicou que a redução na projeção do BC para o saldo comercial deste ano - de US$ 10 bilhões para US$ 8 bilhões - ocorreu principalmente por causa do resultado verificado no primeiro bimestre do ano. "Houve uma queda nos preços de commodities agrícolas e minerais desde a projeção anterior. Mas outros elementos também foram considerados", afirmou. "A conta de petróleo deve ser menos deficitária do que a do ano passado", acrescentou.

Ele negou que haja vulnerabilidade no setor externo brasileiro. "Não há porque falar em vulnerabilidade", reforçou. O economista citou os fluxos de IED e as taxas de rolagem acima de 100% para empréstimos de médio e longo prazos.

"Além disso, a composição do passivo brasileiro é mais favorável sendo que a maior parte é investimento. A dívida de curto prazo também diminuiu na proporção no total do endividamento, e os prazos dos passivos foram alongados", argumentou.

Maciel adiantou também que a taxa de rolagem total de empréstimos de médio e longo prazo está em 271% em março até o dia 20. Em fevereiro, a taxa foi de 139%. Para papéis, a taxa de rolagem em março até dia 20 está em 168% e para empréstimos diretos a taxa de rolagem está em 354%.

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