Reeva escreveu a Pistorius dizendo que tinha medo dele

Sul-africano é acusado de matar a ex-namorada, mas nega o crime

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

Sul-africano é acusado de matar a ex-namorada, mas nega o crime
Associated Press
Sul-africano é acusado de matar a ex-namorada, mas nega o crime

A namorada de Oscar Pistorius, Reeva Steenkamp, disse, várias vezes, ao atleta paralímpico que tinha medo dele e reclamou do seu ciúme e do pavio curto semanas antes de ser morta por ele, de acordo com mensagens de telefone reveladas no julgamento por homicídio do competidor, retomado nesta segunda-feira em Pretória.

"Eu não posso ser atacada por estranhos por namorar você e ser atacada por você, uma pessoa da qual mereço proteção", escreveu Reeva para Pistorius. Em outra mensagem lida em voz alta no tribunal pelo policial François Moller, Reeva disse que tinha algumas vezes medo de o atleta. "Eu tenho medo de você, às vezes pela forma como você fala e age comigo".

Moller extraiu informações do telefone de Reeva e disse que obteve mais de mil trocas de mensagens entre ela e Pistorius no WhatsApp e outros aplicativos de mensagens por telefone. Ele explicou que recebeu dois telefones BlackBerry, dois iPhones, dois iPads e um computador Macintosh no dia após a morte da modelo. O policial afirmou que os dados poderiam ser impressos em mais de 35 mil páginas. Ele ressaltou, também, que cerca de 90% do conteúdo era "normal e amoroso".

Também nesta segunda-feira, mais um vizinho testemunhou ter ouvido tiros e gritos de um homem e uma mulher na noite em que Pistorius matou Reeva. O depoimento de Anette Stipp seguiu na mesma linha das provas dadas por outras testemunhas no início do julgamento, que disseram ter ouvido os gritos de uma mulher. Enquanto isso, a versão de Pistorius não menciona qualquer mulher gritando.

Além disso, Anette, que mora a cerca de 70 metros da residência de Pistorius, declarou que havia iluminação no banheiro onde estava Reeva. "Havia definitivamente uma mulher gritando por um bom período", afirmou. "Você com certeza poderia ouvir duas vozes diferentes".

A avaliação do caso foi paralisada na última quarta-feira, sendo retomada nesta segunda-feira. Pistorius é acusado de premeditar o assassinato de Reeva, ocorrido no dia 14 de fevereiro de 2013. O atleta paralímpico alega que atirou na sua namorada por engano pois considerava se tratar de um intruso que havia invadido a sua residência. Se for considerado culpado, Pistorius poderá até mesmo ser condenado à prisão perpétua. O encerramento do julgamento do competidor está previsto para 16 de maio, segundo as autoridades do Superior Tribunal da província de Gauteng.

Leia tudo sobre: pistoriuspolemicamortemodeloreeva stenkamp