Equipe incompleta estaria comprometendo atendimento

Hospital demorou sete horas para transferir criança para CTI, diz mãe de paciente

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Estânia disse que precisou usar água de casa para fazer mamadeira
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Estânia disse que precisou usar água de casa para fazer mamadeira

Ao chegar com o filho de 6 meses ao Hospital da Baleia, no bairro Saudade, na região Leste da capital, a mãe do bebê, Estânia Mendes Teixeira, 34, pensou que teria acesso a amplo atendimento para o filho, com princípio de pneumonia e suspeita de tuberculose. Após dez dias de internação, o estado de saúde da criança piorou e foi preciso transferi-lo para o Centro de Terapia Intensiva (CTI), mas a dona de casa diz que, por falta de funcionários para limpar o leito que tinha sido desocupado, precisou esperar por cerca de sete horas, enquanto carregava o filho no colo.

O TEMPO teve acesso ontem ao relatório interno de evolução médica do bebê. Preenchido pela pediatra de plantão, o documento apontava deficiências da unidade, confirma a falta de funcionários no setor de CTI e revela que o laboratório de raio X não estaria operando (ver infografia abaixo).

A dona de casa contou que foi encaminhada à unidade pela equipe de uma unidade de saúde de Nova Lima, na região metropolitana, sem leitos de CTI infantil. O bebê foi transferido para o hospital, onde seria internado no CTI, se precisasse. “Desde quando chegamos aqui (na Baleia), só vi meu filho piorar. Um médico me disse que ele está com pneumonia mal-curada”, afirmou.

Já que a doença do bebê seria contagiosa, precisaria ficar isolado, mas foi colocado na enfermaria, junto com outras crianças. Como consta no relatório médico, os funcionários da unidade não usavam máscaras, indisponíveis no hospital.

Alilia Pereira, 19, mãe de outra criança internada no hospital, também reclamou do atendimento, citando demora na chegada de médicos e pacientes com doença contagiosa misturados a outros.

Resposta. A assessoria de imprensa da instituição informou, por meio de nota, que as reclamações não procedem e que o Hospital da Baleia segue todas as normas exigidas pelo Ministério da Saúde.

O texto diz que o filho de Estânia apresentava suspeita de tuberculose pulmonar e que todas as vagas de isolamento do CTI estavam ocupadas. Porém, o Controle de Infecção Hospitalar, “após minuciosa análise liberou o paciente para internação na UTI em leito comum”, sem risco de contaminação para os demais pacientes.

Saiba mais

Mamadeira. 0Estânia conta que precisou fazer a mamadeira do filho no quarto da enfermaria, com água trazida de casa, por falta de profissionais para preparar o leite na hora. “Meu filho vomitou a semana inteira e piorou muito”, diz.

Vídeo. A dona de casa mostrou à reportagem uma gravação em que uma médica confirma a deficiência. “Eles (o hospital) estavam dando uma mamadeira feita há 12 horas”, completou.

História. Fundada em 1944, a unidade oferece 22 especialidades médicas e conta com 217 leitos, para crianças e adultos.

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