Técnico cultiva estilo paizão

Com jovens atletas, equipe de Belo Horizonte está na 14ª posição do torneio nacional

iG Minas Gerais | Débora Ferreira |

 Momentos de Carlos Romano durante as partidas da equipe de basquete do Minas e suas famosas broncas
douglas magno
Momentos de Carlos Romano durante as partidas da equipe de basquete do Minas e suas famosas broncas

Na beira da quadra, Carlos Romano sacode os braços, berra, chama a atenção dos jogadores, faz caras e bocas, discute com a arbitragem e até aparenta tentar invadir o jogo. À primeira vista, o argentino, técnico de basquete do Minas Tênis Clube, parece o tipo de treinador que tem uma relação de medo com os seus comandados, mas ele garante que sua personalidade não bate com a descrição.

“Tudo o que vocês chamam de agitado e nervoso, eu vejo como concentrado. Tenho que estar assim, passar indicações aos meus jogadores, todos os detalhes para ajudá-los. É como você fala, sou muito nervoso, tenho muita paixão pelo basquete”, explica ele.

Aos 56 anos, Romano está em sua segunda passagem pelo Brasil. Veio primeiro ao país em 2007, quando foi contratado para comandar a equipe de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Na temporada seguinte defendeu o Rio Claro, e de lá voltou à Argentina para comandar o Quimsa de Santiago del Estero, onde conquistou a Liga Sul-Americana em 2010 e foi vice no ano anterior.

Longe de sua cidade natal, o argentino e sua esposa não sentiram tanto a diferença de seu país de origem, e se encantaram pela capital mineira. “Achamos que Belo Horizonte é uma cidade muito bonita, com muitas opções culturais e coisas interessantes para conhecer”, contou.

Com tanta bagagem, o técnico foi trazido no início de 2013 pela diretoria do Minas para consolidar um time formado em sua maioria por atletas muito jovens. Aceitou o desafio, e na base do diálogo, mantém um ótimo relacionamento com os jogadores.

“Meu primeiro desafio foi tomar um projeto com muitos jovens, que tentaremos que daqui a quatro ou cinco anos sejam identificados como profissionais, que sejam conhecidos no cenário esportivo. Em pouco tempo construímos um bom relacionamento, fazemos churrascos de vez em quando. Temos essa relação porque gosto de saber da vida deles para ajudá-los”, contou Romano.

No NBB, a missão não tem sido nada fácil. Depois de “bater na trave” por três vezes, o Minas só ganhou sua primeira partida no dia 5 de dezembro, quando desbancou o grande favorito Flamengo, dentro da Arena Vivo. Quando parecia que ia embalar, voltou a sofrer com oscilações, e hoje tem apenas nove vitórias em 28 jogos.

Romano não culpa a juventude pela campanha até o momento. Pelo contrário, elogia seus comandados e não abre mão de lutar pelos play-offs, que são disputados pelos doze primeiros colocados (hoje, o time ocupa o 14º lugar).

“O primeiro objetivo é fortalecer o time para que não caia, e o objetivo maior é estar entre os classificados para os play-offs. Misturamos a juventude com a experiência, e acho que vamos por um bom caminho. É um grupo que trabalha duro, e isso, lá na frente eu acho que vai dar resultado”, diz.

“Eu acho que o basquete brasileiro está num bom nível, semelhante ao argentino, e em um nível bem competitivo, assumindo que tem cinco ou seis times com entrosamento bem grande e que vão brigar a todo momento pelo título”

Números de Carlos

9 vitórias apenas conquistou o time do Minas até hoje

32,1% de aproveitamento tem na tabela do NBB, o que o deixa no 14º lugar

9 meses no comando do clube Carlos Romano completou

Êxitos como jogador e comandante

Carreira de jogador.

Carlos Romano atuou como atleta de basquete e defendeu a seleção argentina por nada menos que 18 anos. Nesse tempo, conquistou dois mundiais, atuou em Olimpíadas e diversos títulos ainda na base.

Bagagem de técnico. Começou sua carreira como treinador em 1994, comandando as categorias de base do Peñarol de Mar del Prata, equipe da cidade onde vivia. Cinco anos depois assumiu o time adulto, e de lá veio para o Brasil. Já conquistou a Liga Nacional Argentina, a Copa Argentina, Super 8, o campeonato Sul-Americano e até um Panamericano com a seleção.

Atuar com os jovens foi decisivo

Parece Belo Horizonte. Uma das coisas que ajudou a adaptação do técnico argentino foi o clima de Mar del Plata ser parecido com o da capital mineira. A única estranheza é em relação ao calor, que é menor na Argentina.

Trabalho com jovens. Uma das coisas que pesou para a assinatura de contrato com o time do Minas foi o desafio de trabalhar com os jovens. Em entrevista ao site da Federação Mineira de Basquete, o treinador revelou que acompanhou as categorias de base do time mineiro por dois anos, quando a equipe participou da Copa de Clubes de Basquete de sua cidade, na Argentina, e gostou muito do projeto desenvolvido.

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