Forças Armadas travam acesso a dados da ditadura

Governo militar considerava desenvolvimento de arma nuclear essencial para defesa do país

iG Minas Gerais |

Comissão Nacional da Verdade tem dificuldade em obter relatórios
Wilson Dias/ABr - 6.11.2012
Comissão Nacional da Verdade tem dificuldade em obter relatórios

Brasília. As Forças Armadas têm se recusado a responder dezenas de ofícios da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e do Ministério Público Federal (MPF) travando a investigação de crimes da ditadura militar. Desde que foi criada, em maio de 2012, a comissão não recebeu nenhuma informação relevante do Exército, Marinha ou Aeronáutica, segundo levantamento feito a pedido do jornal “Folha de S.Paulo”.

Oficialmente, o discurso é outro: o Ministério da Defesa e as três Forças afirmam que estão colaborando. A comissão requereu a relação de oficiais que serviram em órgãos da repressão, questionando ainda quais foram as bases militares utilizadas. Não houve resposta.

De um pedido de informação sobre 60 militares, somente a Marinha respondeu, apresentando o nome de dois. Nenhum dado foi obtido de um outro requerimento que cobrava informações sobre 309 casos de torturas, mortes e desaparecimentos. Procuradores responsáveis pelas investigações dos crimes do período dizem o mesmo: a falta de colaboração atrapalha o andamento de inquéritos com o objetivo de questionar a validade da Lei da Anistia em casos de desaparecimento forçado.

Arma nuclear. Dois meses depois do golpe, o governo militar editou, com carimbo de ultrassecreto, diretrizes estratégicas para o novo governo. O Conselho de Segurança Nacional (CSN) colocara no papel a filosofia militar para administrar o país. No capítulo destinado à defesa aérea, o desejo de deter o poderio nuclear está explícito.

“Para o cumprimento eficiente dessas funções essenciais (da defesa aérea), torna-se necessário: (...) a posse de armas e mísseis, com diferentes sistemas de controle direcional e uma variedade de cargas explosivas, inclusive nucleares, para uma destruição oportuna”, diz o texto.

Em 1975, o então presidente Ernesto Geisel assinou com a Alemanha um acordo de cooperação que levou à construção da usina de Angra I.

Ao firmar o entendimento, o governo militar acreditava que a Alemanha ensinaria ao Brasil como enriquecer urânio pelo método convencional, por ultracentrifugação. Porém, logo depois que o compromisso foi assinado, a Alemanha sofreu pesada pressão dos Estados Unidos, contrários ao programa nuclear brasileiro.

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