Rebelião já é marca histórica

PMDB ocupou ministérios importantes durante os últimos 22 anos e, mesmo assim, pressiona aliados

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |

Pressão. 
A presidente Dilma Rousseff tem em postos importantes Michel Temer e Eduardo Alves
Pressão. A presidente Dilma Rousseff tem em postos importantes Michel Temer e Eduardo Alves

Experimente procurar pelos termos “PMDB” e “rebelião” no Google. Em 0,37 segundos o site de buscas acusa 366 mil menções na rede. O racha entre a legenda e o governo federal, que tem dominado os debates nas últimas semanas, é recorrente desde o fim do regime militar, em 1985. De fato, desde que a população brasileira voltou a eleger um presidente da República, com as eleições de 1989, o PMDB só foi oposição durante o curto governo do primeiro, Fernando Collor de Melo, eleito pelo finado Partido da Renovação Nacional (PRN).

De lá para cá, os peemedebistas governaram o país com Itamar Franco, entre 1992 e 1994, e estiveram na base de apoio de todos os outros governos. Durante esse período, nada menos que 48 lideranças do partido ocuparam ministérios durante os últimos 22 anos, somando os governos de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (veja arte abaixo).

Com três anos e três meses de mandato, a presidente Dilma Rousseff nomeou dez lideranças do PMDB, que passaram pelas pastas de Agricultura, Defesa, Minas e Energia, Previdência Social e Turismo, além das secretarias de Aviação Civil e Assuntos Estratégicos, que têm status de ministério.

Com Lula, foram 17 peemedebistas que circularam em oito ministérios nos oito anos de mandato. Com Fernando Henrique Cardoso, foram 13 ministros em seis pastas. Assim como Lula, o tucano também ficou por oito anos no Planalto. Já nos dois anos do governo Itamar, foram oito ministros do PMDB.

A constatação de que a sigla sempre fez parte do governo, no entanto, não impediu que o próprio partido criasse entraves e constrangimentos aos presidentes desde a década de 1990.

Em 5 de junho de 1998, às vésperas das eleições que reconduziriam FHC ao Palácio do Planalto para mais quatro anos, o então presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse, após reunião com o tucano, que o partido estava com ele “por enquanto”. Embora, em uma coletiva de imprensa concedida no mesmo dia, tenha dito que a afirmação era positiva, o resultado é que, em outubro daquele ano, o PMDB apoiou a chapa encabeçada por Ciro Gomes, que havia acabado de se filiar ao PPS.

Um ano antes, a revista “Veja” noticiava que o PMDB ameaçou uma rebelião caso o próprio presidente Fernando Henrique não interviesse para evitar a cassação do governador de Santa Catarina, Paulo Afonso (PMDB), que era alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia do Estado por um escândalo envolvendo o pagamento de precatórios. Afonso passou ileso pela CPI e foi absolvido.

Com Lula não foi diferente. Em 2007, o PMDB votou contra uma Medida Provisória que instalava a Secretaria de Planejamento a Longo Prazo, da Presidência. O motivo: demora na escolha do novo ministro de Minas e Energia. Em fevereiro daquele ano, manchete do jornal “Folha de S.Paulo” dizia algo que, hoje, mais parece um clichê: “Racha nos partidos atrasa reforma ministerial de Lula”.

Um dos partidos citados, no caso, era o PMDB. A base da legenda na Câmara dizia que o governo privilegiava os grupos de peemedebistas do Senado, como os de Renan Calheiros e de José Sarney.

O início

PMDB. Se contado o primeiro governo pós-regime militar, comandado por José Sarney, que assumiu o cargo de Tancredo Neves, morto em 1985, já são 29 anos de PMDB no governo.

Dias de Dilma

5 de março. 10 de março. Presidente do PT, Rui Falcão, e líder do PMDB, Eduardo Cunha, batem boca no Twitter. Dilma convoca reunião com caciques do PMDB e acerta apoio em palanques regionais.

12 de março. PMDB convoca dez ministros para prestar contas e aprova comissão para investigar a Petrobras.

14 de março. Dilma antecipa reforma ministerial. PMDB não indica nomes.

17 de março. Deputados do PMDB boicotam a posse dos novos ministros.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave