Anestesia geral

iG Minas Gerais |

Os problemas que a sociedade brasileira registra e deles sofre, sem alternativas, infelizmente seguem-se os mesmos. Não há fatos novos acendendo reações inéditas. O que se vê é a mesma corrupção deslavada, a insegurança que tem tornado a vida do cidadão comum uma aventura diária, a educação e a saúde sucateadas mas mascaradas por campanhas estelionatárias. A vida do brasileiro foi transformada em um cipoal de problemas sem solução. Há duas semanas que a imprensa denuncia o assalto a mão armada que foi a compra de usinas pela Petrobrás, mundo afora, pagas com reservas que a maior empresa brasileira acumulara graças aos aportes de dinheiro público em seu capital. Dinheiro público associado a um monopólio em cujo nome construíram-se fartos privilégios e equívocos criminosos, como as operações agora conhecidas. O assunto veio a rua trazido pelo que a linguagem policial trata como uma briga de quadrilha, já que seu denunciante fora o grupo liderado pelo deputado Eduardo Cunha, que em Furnas deixou suas digitais em negócios de interesses duvidosos. Esse grupo que Cunha lidera é insaciável, sem medidas em seu apetite e não é novidade. É gente metida nas entranhas do poder, sempre aplicado em desenhar as decisões que lhe convêm. Soltos, seus membros são um perigo para o erário. Vale apurar. A vacina anti-HPV ministrada em crianças de 11 a 13 anos, resultado de um acordo do governo federal com um laboratório americano, se tiver seus custos investigados também vai gerar matéria para CPI. Nos EUA essa vacina, quadrivalente, custa US$ 80 a dose, no varejo. Aqui foi negociada por R$ 330,00 a dose. Mas há outras mutretas na fila, com riscos de prescrição. Na semana passada esse jornal divulgou estatísticas sobre a insegurança em Minas, que não é diferente do resto do país. Toda família brasileira tem uma marca de violência, vítima ou agente dela, como a apurada pela polícia mineira de que dois assassinatos ocorridos em BH há dias foram praticados por dois irmãos, em ocasiões e locais diferentes mas da mesma forma: assalto a mão armada. Dois jovens estão mortos e seus assassinos presos e mantidos a custa do Estado, sem qualquer perspectiva de mudança da vida em sociedade. A população carcerária multiplica-se no percentual da insegurança pública e tudo permanece no mesmo lugar. Se é menor, pode ficar até 3 anos preso, ainda que tenha 17 anos e 364 dias. Se assassino bárbaro ou ladrão de galinha, dá no mesmo. Chegamos ao topo da miséria social e também política. Dados revelados de pesquisas feitas por institutos idôneos mostram que as manifestações de junho de 2013 fizeram elevar para 18% o coeficiente de eleitores que hoje optariam pelo voto nulo ou em branco. Legalmente, isso reduz o total de votos válidos, fazendo com que a próxima eleição, para a Presidência da República, seja decidida pela inércia e não pela escolha. A oposição que se confronta com Dilma não conseguiu evoluir, não agregou nada que pudesse fazer a sociedade engajar-se no processo eleitoral, pela mesmice das propostas ou pelo descrédito dos postulantes. Ou pelas duas coisas associadas. Vamos eleger o presidente da República, 57 senadores, um batalhão de deputados federais e estaduais. De novo, teremos aquela realidade um dia dita por Ulisses Guimarães: “o Congresso Nacional de hoje é pior do que o da legislatura passada mas certamente melhor do que o da próxima legislatura. A história nos ensina que levar as mãos, infelizmente, não é o melhor caminho. E nós, brasileiros, anestesiados.

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