Um homem melhor que Pelé

Universo esportivo dá o clima de drama familiar

iG Minas Gerais | Deborah Couto e Silva |

Sérgio Rodrigues explora o futebol em drama entre pai e filho
Bel Pedrosa
Sérgio Rodrigues explora o futebol em drama entre pai e filho

Uma jogada espetacular dos tempos de Pelé e Tostão abre a obra “O Drible”, de Sérgio Rodrigues, a ser lançada hoje, no projeto Sempre um Papo, no Palácio das Artes.

Futebol é identificação certeira para o leitor brasileiro. “Sou de Muriaé, portanto torço para um time de Minas (Cruzeiro) e outro do Rio (Flamengo). Amo futebol, mas não tenho esse fanatismo louco que a maioria dos torcedores têm pelos seus clubes. O que tenho é uma história com o esporte”, conta Rodrigues, que começou a carreira como jornalista esportivo cobrindo a Copa do México, em 1986.

“O Drible” conta a história de dois Murilos, Filho e Neto. O pai, cronista esportivo de 80 anos, tenta uma reaproximação com o filho com quem não tem contato há 25 anos. Neto é um medíocre revisor de obras de autoajuda. Em paralelo à história familiar, há o livro escrito por Murilo Filho, sobre o jogador Peralvo, que segundo o cronista, teria poderes sobrenaturais os quais o jogador usaria em campo e o tornariam maior que Pelé. “Trata-se de uma metalinguagem. Uma narrativa de fantasia dentro de uma narrativa realista”, conta.

“O livro traz um drama familiar que tem o dever de fazer um sentido humano, muito mais que trazer arquétipos. Mostra um pai ausente e egoísta, porém brilhante, que quer fazer as pazes com Neto no fim da vida. A relação entre pai e filho é o ponto central nessa narrativa. A história de Peralvo, em paralelo, é um livro dentro do livro”, diz o autor.

Peralvo é um mulato sarará, filho de uma negra e dotado de poderes sobrenaturais, uma realidade fantástica que contrapõe o duro relato realista do drama de “O Drible” e traz leveza ao mesmo. Uma metáfora sobre o país. “Acredito que futebol é muito mais que um jogo, é uma forma de discutir o Brasil em seus vários arquétipos. Peralvo traz à tona o mito da democracia racial e a representação de vários de nossos estereótipos. Mas é muito importante que fique claro que trabalho isso como romancista. As pessoas fazem várias inferências sobre representações desse tipo, mas meu romance é mesmo um drama familiar. As questões sociais ali presentes são periféricas, não meu foco”, diz Sérgio.

Agenda

O que. Sempre um Papo com Sérgio Rodrigues

Quando. Hoje, às 19h30

Onde. Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro

Quanto. Entrada franca

Curiosidade

Segundo Sérgio Rodrigues, “O Drible” foi o livro mais trabalhoso de sua carreira. Do primeiro rascunho ao trabalho pronto passaram-se 18 anos, não ininterruptos, claro. Nesse período ele lançou outras obras.

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