Sexo do futuro tem orgasmo por controle remoto e robôs

Tecnologia a serviço do prazer transforma as relações e rompe paradigmas de comportamento

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Mutsugoto: Formado por câmeras, luzes artificiais e computadores, a ferramenta possibilita ao casal desenhar fachos de luz sobre os corpos ou camas dos parceiros que estão longe. O casal usa anéis ativados pelo toque e captados por uma câmera. Os movimentos são transmitidos simultaneamente.
REPRODUCAO / CSI SCIENCE
Mutsugoto: Formado por câmeras, luzes artificiais e computadores, a ferramenta possibilita ao casal desenhar fachos de luz sobre os corpos ou camas dos parceiros que estão longe. O casal usa anéis ativados pelo toque e captados por uma câmera. Os movimentos são transmitidos simultaneamente.

Que a tecnologia já invadiu a nossa vida ninguém duvida. Presente em carros, casas e empresas, os dispositivos eletrônicos nos mantêm conectados e estão ocupando cada vez mais espaço na nossa rotina. Mas é entre quatro paredes que eles prometem, em um futuro próximo, revolucionar as relações sexuais.

Segundo previsões de especialistas em todo o mundo, engana-se quem pensa que as relações serão mais frias e mecânicas. A aposta é de um futuro “high tech”, com o sexo pegando fogo com transas entre humanos e robôs ou em naves espaciais, orgasmos por controle remoto, exames para detectar o amor, entre outras novidades.

A sexualidade seria uma das primeiras coisas impactadas no futuro, segundo a presidente da Federação Europeia de Sexologia, Chiara Simonelli. Ela afirma que, com a disseminação de métodos de reprodução artificial, o sexo já deixou de ser voltado para a reprodução e passou a ser mais recreativo, o que significa que a humanidade caminha para a bissexualidade. “No futuro, como homens e mulheres fariam sexo só por prazer, não teriam por que transar apenas com o sexo oposto. Os impactos disso para a sociedade em geral seriam de menos conflitos e mais respeito”, acredita.

Mulheres com dificuldade para atingir o orgasmo também podem vislumbrar um horizonte mais prazeroso. Foi enquanto pesquisava nos Estados Unidos as formas de tratar a dor crônica na coluna que o anestesiologista Stuart Meloy viu que os eletrodos implantados na medula do paciente, quando estimulados, eram interpretados pelo cérebro como sinal de um orgasmo. Por acidente, surgiu então o orgasmatron – dispositivo do tamanho de um marca-passo que, implantado na coluna, pode ser acionado por controle remoto. Não há uma previsão de ser venda para fins não medicinais. A neurocientista americana Lucy Brown também já deu um importante passo para que a ciência se torne capaz de detectar o verdadeiro amor e verificar se, por trás de um beijo, há apenas interesse ou algo mais.

Através da ressonância magnética do cérebro de pessoas apaixonadas e rejeitadas, os cientistas estão aprendendo muito sobre a ciência do amor. “Os sistemas cerebrais ativados quando você está sexualmente excitado são diferentes daqueles ativados quando você está apaixonado. O amor romântico é diferente da excitação sexual, embora muitas vezes eles andem juntos”, diz Lucy.

Estranho amor. O especialista em inteligência artificial e autor do livro “Love and Sex With Robots” (“Amor e Sexo com Robôs”), David Levy, vai além. Em 2007, o pesquisador britânico previu que passaríamos a fazer sexo com robôs em cinco anos e que seríamos capazes de amá-los em 40 anos.

Paula Aguiar, presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme), acredita que não haverá receio. “As pessoas estão querendo e buscando cada vez mais novas experiências e novas formas de chegar até o prazer”, afirma. Minientrevista

Você acredita que o sexo no futuro vai ser mais tecnológico? Não posso ser contrário aos avanços tecnológicos, mas tenho medo da tecnologia desumanizante e que comprometa os relacionamentos. Por outro lado, concordo que, em termos de sexualidade, ainda estamos muito primitivos se compararmos a outras indústrias, como a da alimentação. O que se tem de tecnologia no sexo hoje é praticamente o vibrador e algumas substâncias com gosto. A tecnologia erótica é pouco acessível, e o uso no Brasil e em Minas também é muito pequeno.

As pessoas estão preparadas para essas mudanças? A maioria não está preparada para usar nem o pouco que é oferecido. Há 35 anos, ouço que o potencial do Brasil no comércio erótico é enorme, mas nesse período avançou pouco.

Como a tecnologia poderia ajudar? Acredito que a tecnologia e novos produtos se consolidem para enriquecer a humanidade

, mas não acredito que o sexo com robôs emplaque porque o ser humano está vivendo um momento de fragilidade. As relações humanas estão caminhando para o descarte e tenho medo de essa tecnologia realmente afastar as pessoas delas mesmas ou dos outros, e deixar as relações muito mais virtuais, descartáveis e superficiais.

Como você projeta o sexo no futuro?Vejo no futuro o sexo absorvendo tecnologias que possam enriquecer as relações humanas. Eu torço para que apareçam várias escolas de amor pelo mundo, e uma nova ciência – a “amorologia”. No passado, já tivemos o sexo-reprodução, o sexo-culpa, agora estamos vivendo o sexo-performático, e no futuro seria o sexo-amor.

Fazer amor é colocar foco na brincadeira e no prazer que isso propicia. Já quando faço sexo, foco na ereção e no orgasmo. Amor é entrega, é gratuidade. Para fazer amor precisamos de três habilidades, de três H’s: humor (é brincar), humildade (tem que ter aprendizado) e honestidade (com seus sentimento e do outro). Quero um futuro menos máquina (para melhorar a performance) e mais amor. (LM)

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