filho: um estranho no ninho?

iG Minas Gerais |

Agradeço antecipadamente os que dirão que têm uma família maravilhosa, filhos exemplares, que passam as férias juntos, se abraçam, beijam, não abrem mão de fazer programas familiares. Estas famílias figuras de livro não têm razão para continuar a ler estas mal traçadas linhas. Falo, com muita tristeza, do abismo que vem, na grande maioria da população, em toda parte do mundo, afastando as gerações de pais e avós, de seus filhos e netos. A característica mais avassaladora destes adolescentes e adultos jovens é a indiferença! Sim, com toda impiedade que a indiferença pode matar as relações humanas. Afinal, ser indiferente é tanto fazer se a água corre para cima ou para baixo. É não amar, não odiar, não se importar: a velhinha esta em pé no ônibus? E daí? Os pais ralam para dar estudo, teto, comida e esperam que estude, arrume o quarto, seja amável? “Ai, que saco! Odeio escola, pais me enchendo...”. Chega em casa, não cumprimenta e já se tranca no quarto para seu mundinho das telas, suas redes sociais. E dar um “olá” ou abraço nos pais e familiares? Indiferença é robotizar-se, querer ser invisível, não fazer nada que não queira e que o resto se explodia. É aquela frieza profunda para pais carentes que mendigam algumas palavras alem de “hum, já sei, que saco, tá bom, beleza, não enche”. Mas acha que é só indiferença? Não, essa geração é egocêntrica, só vê o próprio umbigo, não partilha, não divide, não preocupa! É como se não houvesse amanhã. Tudo que interessa é o agora, tomar todas, pegar todas, rachar, quebrar. Passou a ressaca, tudo é uma bosta, um saco, mas fim de semana começa tudo de novo. 30 aninhos, sair de casa? Tá doido! Grana é para o carro, balada, motel, roupas e tecnologia de ponta. Afinal, como dizem por aí, “não pedi para nascer”. Bem feito para os pais passivos, chantageados emocionalmente, moleirões, masoquistas! Perdeu o controle, seu Zé, então alimenta marmanjo pelo bico! Por fim, a terceira característica após a Síndrome da indiferença e egocentrismo: narcisismo! Como são vaidosos, perfeccionistas, exibicionistas. Selfies cada vez mais bobos, eróticos - adolescentes exibindo seus corpos em “sexies”, que são fotos próprias, nuas ou semi-nuas, criando ambientes perigosamente pedófilos ou caindo na rede como periguetes e galinhas. E o que dizer dos vídeos que namoradinhos apaixonados fazem de sexo animal, para depois virar objeto de ódio e chantagens, quando são espalhados nas redes sociais e levam até ao suicídio, acabando com a vida de adolescentes e famílias. Gente, que mundo é esse? Para que eu quero descer! Como entender que 25% dos jovens abandonam Facebook ou Twitter só ao saber que os pais estão acessando e mandaram uma mensagem? Xô, pais! Querem distância de nós! Onde erramos? Em tudo. Somos passivos, presenteamos, nós acomodamos com suas prisões domiciliares e solitárias do quarto, onde, em uma tela, eles habitam um mundo próprio, virtual, irreal e maravilhoso pois não têm limites, punições, obrigações e deveres. Nós, mais sem tempo, infelizes, separados, famílias decompostas ou em mosaico, não sabemos envolvê-los afetivamente nem ter assuntos ou lazer em comum. Mas tenho uma notícia excelente: um dia eles crescem (cada vez demoram mais, é verdade) e vão precisar de uma ombro amigo, uma palavra, um cafuné. Pois este mundo atual é ilusório e cansa ir à caça de prazeres, paqueres, bebidas, festas, sexo casual e mente vazia com uma existência nula e angustiante. No fundo, são carentes, conservadores, mal resolvidos. Nos amam mesmo que finjam nos desprezar, ou finjam zoar com nossa ignorância tecnológica. Se tudo te faltar na vida, sem dúvida não faltará um familiar! Me emociono e entendo o valor único do afeto quando vejo as terríveis filas em presídios, e mães firmes e persistentes levando a comidinha, as roupas lavadas, os objetos pessoais, tendo que queimar ao sol, ser humilhadas em revistas na entrada, e quando reencontram os filhos, choram de amor e saudades de seus entes, detentos, criminosos, traficantes. Estamos em crise familiar, precisamos repensar as relações humanas, mas não duvidem: o amor é eterno e universal! A maior energia que Deus nos legou!

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