Trajetória em ritmo de alegria

iG Minas Gerais |

Filho de Igarapava, no interior de São Paulo, Jair Rodrigues talvez não imaginava que os ensinamentos e as palavras de sua mãe o conduziriam a um caminho tão alegre e bem-sucedido. “Gosto de ser uma pessoa educada e aprendi isso, e muito mais com minha mãe. Ela me dizia que eu daria pra cantor. Eu respondia que não daria para cantor (gargalhadas), e ela retrucava dizendo que eu sou muito alegre e que, continuando assim, receberia isso em troca”, recorda Jair.

Mais de 50 anos depois, o resultado está aí, traduzido em talento e alegria, mais de 40 álbuns gravados, apresentações em diversos países e reconhecimento como um dos artistas mais queridos da música brasileira. “Comecei a cantar em São Carlos com 14 anos e adorava. Cheguei a participar de programas de rádio”, conta Jair, que também soltava a voz quando serviu a pátria. “Prestei o serviço militar no Tiro de Guerra de São Carlos. Era o cantor do Exército”, completa.

Não demoraria para o artista dar passos mais largos, já na capital paulista, trilhando seu caminho com momentos importantes em sua vida (veja uma breve relação do próprio artista no quadro ao lado). “É muita coisa, todas elas com uma alegria especial. Quando, sem querer, fui precursor do rap, foi um grande momento”, relembra Jair, versando ao telefone “deixem que digam, que pensem, que falem...”. Trata-se do clássico “Deixa Isso pra Lá”, de Alberto Paz e Edson Meneses, faixa do álbum “Vou de Samba com Você” (1964), o segundo em sua carreira e que marca o início de seu sucesso em âmbito nacional.

Mas em 1965, a parceria de Jair Rodrigues com Elis Regina definitivamente o coloca num patamar exclusivo na música brasileira. “E mais do que uma parceria, gosto de falar da grande amizade com essa que é uma das maiores cantoras da história da música brasileira. Gravamos três discos, o primeiro ao vivo, no teatro Paramount, em São Paulo. Depois, a Record nos contratou e fizemos o programa ‘Fino da Bossa’. Foi uma época especial”, conta ele, sobre o três volumes de “Dois na Bossa”, lançados entre 1965 e 1967.

Os anos seguintes foram de intensa produção musical para o artista, com participações marcantes nos festivais de música, como em 1966, quando Jair, conhecido por interpretar sambas, surpreendeu o público com uma intensa interpretação da canção “Disparada”, de Geraldo Vandré e Théo de Barros. Com a carreira decolando, o cantor lançava um álbum por ano, interpretando sucessos como “O Menino da Porteira”, “Boi da Cara Preta”, “Majestade o Sabiá”, dentre outros. “Foi um período intenso, de muito trabalho. Fiz turnês pelos Estados Unidos, pela Europa, no Japão”, relembra Jair, que em pouco tempo recebia a alcunha – nacional e internacionalmente – de o rei da música negra. Coincidência ou não, em 197, gravou o samba-enredo “Festa Para um Rei Negro”, da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.

Com uma trajetória de música, alegria e irreverência, a imagem de Jair Rodrigues é daquelas de que nada parece tirá-lo do sério. Cabe, então, a pergunta: o que poderia tirar o sorriso do rosto de Jair? “Gosto muito de futebol e, quando jogo bola, não gosto de perder. Hoje, não tenho fôlego e fico na defesa. Aí a molecada quer passar a bola por debaixo das pernas e tudo mais. Bom, a bola passa...”, responde ele com seu tom alegre para daí, sim, revelar que a seriedade é algo muito importante na sua formação. “Quando a gente está falando sério, de assunto importante, e querem tirar um sarro, fico bravo”. (FF)

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