Na minha casa todo mundo é bamba

Jair Rodrigues e Jair Oliveira celebram décadas de carreira com lançamentos em CD e DVD

iG Minas Gerais | fabiano fonseca |

Site oficial/Divulgação
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Energia, vitalidade e uma alegria contagiante. Crooner, rapper, bossanovista, sambista, cantor. Definir a personalidade e o trabalho de Jair Rodrigues passa por muitos adjetivos, palavras, conceitos que, certamente, ultrapassam os já aqui mencionados.

Aos 75 anos, completados em fevereiro passado, Jair é uma força da natureza. “Enquanto Deus não me leva, não paro mesmo”, conta ele – com o mesmo tom brincalhão e alegre que estamos acostumados a ver e ouvir –, em entrevista por telefone ao Magazine, sobre a vontade de seguir estrada após 55 anos de trajetória na música, celebrados agora com o lançamento de “Samba Mesmo”, álbum em dois volumes.

E o momento é de festa mesmo, e em família. Além de Jair, quem também comemora sua trajetória artística é o primogênito dos Rodrigues. Jairzinho também acaba de lançar seu projeto efeméride: o DVD e blu-ray “Jair Oliveira 30”, perpassando suas três décadas de atividade musical. “Foi uma feliz coincidência, pois o meu projeto demorou a sair. Não era intencional os trabalhos chegarem juntos até mesmo porque o meu é de 2011, ano em que, de fato, cheguei aos 30 de carreira”, revela Jair Oliveira, em bate-papo na última segunda-feira (17), dia em que celebrava seus 39 anos de vida.

Celebração do pai. “No começo do ano passado, Jairzinho me disse que eu tinha que fazer um novo disco. E ele tinha uma ideia a partir de uma frase que sempre digo: ‘samba é isso mesmo’”.

Como explica Jair, é dessa forma que começaram a nascer os dois volumes de “Samba Mesmo”. Os discos vêm com 23 canções, algumas clássicos da música popular brasileira, além de três inéditas. “Começamos a trabalhar na escolha do repertório, somente com músicas que nunca gravei, a partir do nosso imenso cancioneiro. Fomos escolhendo e chegamos a esse número”, conta o pai.

O resultado foram dois álbuns com pérolas de nomes como Noel Rosa (“Fita Amarela”), Ataulfo Alves (“Na Cadência do Samba”), passando por composições de Waldick Soriano (“Tortura de Amor”), Dominguinhos e Nando Cordel (“De Volta pro Aconchego”), além de Roberto Carlos (“Como É Grande o Meu Amor por Você”). “Adoro essa canção do Roberto Carlos. Queria muito gravar e fui a um show dele pra conversar pessoalmente. O Roberto nem sempre libera suas músicas. Cheguei no camarim e disse para deixar de ser besta e liberar a música. Ele sorriu e me disse: ‘Cachorrão, vai lá e grava’”, diverte-se Jair.

Nesse imenso repertório dos álbuns, todo ele com arranjos modestos, simples, no qual o samba cadenciado acompanha a voz de um Jair Rodrigues intimista, o próprio intérprete também ressalta uma faixa que lhe trouxe um sabor especial e familiar: “No Rancho Fundo”, de Ary Barroso e Lamartine Babo. “Gosto demais dessa música e foi a única gravação que tive companhia, e dos meus filhos. Fico muito feliz de estar na companhia deles”, fala um alegre e emocionado pai sobre Luciana Mello e Jair Oliveira, que o acompanham na faixa. Se o clima é de família, vale ressaltar que “Samba Mesmo” é dirigido e produzido por Jairzinho.

Celebração do filho. “Em 2011, quando percebi que estava diante de uma data redonda, surgiu a vontade de gravar um show para revisitar esses 30 anos de trajetória”. Soa até estranho, mas é isso mesmo. No alto dos seus 39 anos de idade, Jair Oliveira já superou três décadas de carreira artística, que agora ele perpassa no DVD “Jair Oliveira 30” – que também sai no formato blu-ray, com um documentário dos bastidores do show, depoimentos da família e parceiros musicais.

Gravado no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, o show remonta a trajetória de Jairzinho desde a primeira vez que subiu em um palco com seu pai, o período lúdico com o Balão Mágico, seu início como compositor e o trabalho solo. “Quando comecei a pensar o show, queria contar uma história. E começo com ‘Disparada’, que não faz parte do meu repertório, mas representa uma herança do meu pai, mostra de onde vim. ‘Io e Te’ é a segunda gravação que fiz na minha vida e significa muito para mim. Cantei com meu pai no Festival de San Remo, na Itália, e foi essa canção que me levou ao Balão Mágico”, conta Jair Oliveira.

Ainda relembrando o Jairzinho, o músico monta um set de hits infantis com sua parceira no balão, Simony, com as canções “Coração de Papelão” e, claro, “Superfantástico”. “O Balão Mágico foi especial, aprendi muito sobre televisão, espetáculo, sobre o que é a vida de um artista, e tudo de uma maneira lúdica”, relembra ele.

Os anos foram passando, Jair deixou de ser Jairzinho, e o amadurecimento fora do país – quando passou cinco anos estudando no Estados Unidos, refletindo em um multiartista – também estão contemplados no projeto. “A vida fora do Brasil me trouxe novos horizontes. Aprendi a produzir, amadureci como compositor e, quando voltei, conheci muita gente e formei grandes parcerias”, conta ele, que levou ao palco parceiros como Max de Castro, Simoninha, Daniel Carlomagno, Pedro Mariano e a sua irmã Luciana Mello.

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