Minas vai cobrar pelo uso da água de mais duas bacias

Taxação. Cenário de escassez do produto vai tornar cobrança por retiradas de rios cada vez mais comum

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Quase seco. A falta de chuva castiga a Barragem do Benfica, em Itaúna, que está com nível de água bem baixo do normal para época
douglas magno
Quase seco. A falta de chuva castiga a Barragem do Benfica, em Itaúna, que está com nível de água bem baixo do normal para época

Ainda neste ano, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) vai começar a cobrar pelo uso das águas dos rios da bacia do Pará, no Centro-Oeste de Minas, e dos rios Preto Paraibuna e Pomba Muriaé, ambos na bacia do Paraíba do Sul, na Zona da Mata. A medida segue o que já vem acontecendo nas bacias dos rios das Velhas, Araguari e Doce e, com o cenário de escassez de água, deve ser tornar uma tendência nos próximos anos. “A partir do momento em que há a cobrança, se pensa duas vezes no que vai gastar”, diz a diretora geral do Igam, Marília Melo. A cobrança é para captação direta no rio, feito, normalmente para uso industrial ou na agricultura. A água usada no abastecimento público já é cobrada. Na bacia do Pará, o metro cúbico vai custar R$ 0,02 e nos rios do Paraíba do Sul, R$ 0,01. O recurso arrecadado é aplicado em programas de melhoria da própria bacia. O diretor da PWC Brasil e especialista em sustentabilidade, Carlos Rossin, acredita que a cobrança pelos diversos usos da água deve crescer nos próximos anos. “Nós atribuimos um valor muito baixo à água. A partir da escassez, esse valor cresce”, explica. De acordo com ele, a água representa apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do mundo. Estiagem. A discussão sobre os diversos usos da água é a bola da vez. Hoje, é comemorado o Dia Mundial da Água e o tema ganha força, especialmente no Brasil, que vive um momento de estiagem prolongada que tem deixado os reservatórios muito abaixo do nível normal e ameaça provocar um racionamento de energia como aconteceu em 2001. Em Minas Gerais, o reservatório de Furnas está com 28,51% da sua capacidade e Três Marias, com 19,48%, segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS). No Centro-Oeste, a represa Benfica, em Itaúna, está com apenas 20% de sua capacidade. Enquanto a disponibilidade do líquido diminui, a demanda cresce. De acordo com relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), até 2030, o mundo precisará de 35% a mais de alimento, 40% a mais de água e 50% a mais de energia. Energia e água estão no topo da agenda global de desenvolvimento, segundo o reitor da Universidade das Nações Unidas, David Malone, que este ano é o coordenador do Dia Mundial da Água em nome da ONU-Água, juntamente com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). O secretário-geral da Organização Meteorológica Global e membro da ONU-Água, Michel Jarraud, reforça, em nota divulgada pela entidade, que água e energia estão entre os desafios globais mais iminentes. Ele considera “inadmissível” que 768 milhões de pessoas não tenham acesso à água tratada e 1,3 bilhão ainda vivam sem energia elétrica.

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