Pequeno reino de Cristina

Na cidade, situada no coração da Patagônia, o número de turistas pulou de 60 mil para 300 mil por ano desde 2000

iG Minas Gerais |

Los Sauces, de propriedade de Cristina Kirchner, é o mais luxuoso de El Calafate
Eduardo Maia/AG
Los Sauces, de propriedade de Cristina Kirchner, é o mais luxuoso de El Calafate

Seus opositores costumam chamá-la, debochadamente, de “la reina”. Mas se a presidente argentina Cristina Kirchner tivesse mesmo uma coroa, seu reino seria El Calafate. A cidade, que já foi publicamente chamada por ela de seu “lugar no mundo”, foi o endereço escolhido pelos Kirchner quando não estavam na Casa Rosada.

O castelo já existe e está aberto aos súditos, pelo menos os mais nobres. O Los Sauces é o hotel mais famoso e luxuoso da cidade, construído pela presidente e seu marido e antecessor, Néstor Kirchner (que morreu na casa de veraneio do casal, no terreno ao lado, em 2010). O hotel, de 42 suítes espalhadas em seis casarões, abriu as portas em 2007, último ano de Néstor no poder. Dizem que foi a presidente que decorou quarto a quarto, muitas vezes usando obras de arte e objetos de decoração obtidos em viagens pelo exterior. Se for verdade, o bom gosto da hoteleira Cristina é elogiável.

O Los Sauces é o primeiro de três hotéis que os Kirchners abriram em El Calafate. Os outros dois, Las Dunas, de frente para o lago Argentino, e Alto Calafate, aos pés do Cerro Frías, são igualmente luxuosos e polêmicos. Os empreendimentos são apontados pelos opositores da presidente como fruto de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro.

Vocação

Alheia às críticas, Cristina Kirchner continua indo com frequência à cidade e sempre que está por lá há seguranças de plantão na porta do hotel. O que parece desnecessário na pacata El Calafate, uma cidade com ruas tranquilas e jardins bem-cuidados. O clima de interior é quebrado apenas pelo grande número de turistas, que passou de 60 mil para 300 mil por ano desde 2000, quando foi inaugurado o aeroporto local. Néstor ainda era governador da província patagônica de Santa Cruz e colaborou para a explosão da população, de cerca de 5.000 para quase 20 mil habitantes atualmente.

A vocação para o turismo se nota na via principal, avenida del Libertador, ocupada basicamente por restaurantes, bares, agências de turismo, lojas de roupa, material esportivo e suvenires, um cassino e um museu que conta a história da cidade e tem uma ala dedicada a Evita Perón. Nessa alameda, estão as duas unidades da pizzaria La Lechuza, famosa, porém, por suas empanadas – são mais de 20 opções. Cerveja, só que com literatura, é a especialidade do Borges & Alvarez Librobar, que como o nome indica, mistura bar e livraria no mesmo lugar. O amplo salão, todo de madeira, é revestido de prateleiras com livros que os frequentadores podem folhear entre um gole e outro. O rock que sai das caixas de som completa o ambiente boêmio, que atrai sobretudo os visitantes mais jovens.

Cruzando o riacho Calafate está o La Tablita, o mais tradicional restaurante da cidade, famoso pelo prato símbolo da região, o cordeiro patagônico. Assado em fogo de chão, é servido em porções generosas no restaurante, que também se destaca por sua parrilla e pelas carnes de caça, como a lebre à escabeche.

Los Sauces, de propriedade de Cristina Kirchner, é o mais luxuoso de El Calafate

Borges & Alvarez Librobar: livros e drinques

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