Revisão antes do previsto

iG Minas Gerais |

Quem já teve um carro zero quilômetro sabe que as primeiras revisões, chamadas obrigatórias, precisam ser feitas em revendas autorizadas para que a garantia seja mantida. Chegou a hora, antes do previsto, de fazer as primeiras revisões no Cruzeiro e no Atlético na Libertadores. Pouco antes de a competição intercontinental começar, escrevi, neste espaço, que os dois grandes clubes de Minas Gerais estavam entre os favoritos ao título, com a Raposa levando vantagem sobre o Galo por fatores que expus naquela coluna “Libertadores histórica”, que está disponível no www.otempo.com.br, assim como as demais que redigi. Após quatro jogos na primeira fase, me vi obrigado a fazer uma revisão inesperada nos times, embora ainda estejam, na Libertadores, com pouca quilometragem, mas já apresentam problemas que podem deixá-los pelo caminho, assim como acontece com carros que não recebem cuidados. O problema é que o Cruzeiro, o caso mais grave, pode ficar parado em uma estrada deserta, à noite, com chuva e em um lugar perigoso. No Brasil, todos eles. Ninguém poderia prever que o campeão brasileiro com o pé nas costas em 2013 estaria em terceiro lugar do grupo e correndo um risco muito grande de cair na primeira fase, o que seria desastroso. O que impulsiona um carro é o motor, e o do Cruzeiro, Everton Ribeiro, não funciona. Embora tenha feito um belo gol de falta na quinta-feira, ainda não jogou nada em 2014. A razão só um especialista, Marcelo Oliveira, pode saber e fazer o reparo. O bom Dagoberto necessita de água fria no radiador a cada parada, pois esquenta com facilidade, mesmo em dias/jogos sem nenhum calor. Na defesa, Dedé precisa se conscientizar que é “apenas” um bom jogador, um gol 1.6, completo e novo. O problema é que ele pensa ser uma Ferrari. Zagueiro tem que saber a hora de dar chutão! Não precisa sair jogando com categoria em todas as bolas, correndo o risco de ser abalroado por um adversário e perder a bola. Quanto ao treinador Marcelo Oliveira, a quem reputo um grande profissional, precisa variar os caminhos e a maneira de dirigir. São sempre as mesmas substituições. Por fim, está faltando gasolina/sangue nas veias de toda a equipe, que se mostra apática e sem raça, o que deixa o torcedor muito bravo. Tá certo que a escola cruzeirense sempre foi a do toque de bola, mas não se ganha uma Libertadores sem acelerar nas curvas e correr riscos. No Atlético, os problemas são os mesmos do ano passado. Aliás, tem uma peça nova que não agrada de jeito nenhum a quem sempre comprou o produto, mesmo quando ele era um Lada. A grande maioria da torcida não gosta do trabalho do técnico Paulo Autuori e ponto. Em outra parte importante da máquina, Ronaldinho vive de lampejos. Na descida, embala e pega velocidade. Na subida, ou seja, na hora “H”, some do jogo, como aquele jogador que quase encerrou a carreira no Flamengo. Outro item que está “quebrado” é Tardelli. Chateado pelo fato de que não vai disputar a Copa do Mundo, joga com um desânimo impressionante e se limita a dar dribles na beira do campo que nada contribuem para bolas nas redes.

A diferença é que o Galo está quase chegando ao seu primeiro destino na longa estrada até a taça, pois lidera seu grupo e terá a chance de fazer uma segunda revisão.

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