Em “As Leis da Fronteira”, Javiver Cercas trata da transição espanhola

Escritor espanhol parte da história de adolescente em Girona

iG Minas Gerais |

Javier Cercas tem as ambientações históricas como uma marca
Walter Craveiro divulgacao
Javier Cercas tem as ambientações históricas como uma marca

São Paulo. Como de costume, a história tem papel predominante em “As Leis da Fronteira”, sexto romance do espanhol Javier Cercas. O escritor visitou a guerra civil de seu país em “Soldados de Salamina” e a tentativa de golpe de 1981 em “Anatomia de um Instante”, além de explorar o trauma norte-americano no Vietnã em “A Velocidade da Luz”. Agora, o cenário é a transição espanhola (período de democratização posterior à ditadura franquista). 

Como nos livros precedentes, as ambientações históricas de Cercas refletem dramas impretéritos, neste caso o preço pago ao se cruzar certas fronteiras sociais.

Em 1978, na cidade catalã de Girona, o adolescente Ignacio Cañas se cansa de sofrer bullying em seu colégio de classe média, passa a frequentar a periferia e a conviver com quinquis, jovens drogados típicos da abertura político-comportamental de fins dos anos 1970 e início dos anos 1980. Para isso, basta-lhe “atravessar a linha divisória do parque de La Devesa e do rio Ter”, denominada “fronteira azul”.

O termo guarda relação com o título de uma série japonesa que relata a luta do bando de Liang Shan Po contra desmandos do imperador, de quem estavam separados pelo rio, o limite entre bem e mal. Cañas conhece Tere e Zarco, líder dos marginais. É rebatizado como Quatro-Olhos. A transa desses personagens vai dos assaltos à cadeia, até culminar na dissolução de sua geração pela Aids e pela heroína. A estrutura armada por Cercas é eficaz: um escritor quase invisível ouve Cañas e outros, que relatam ascensão e queda de Zarco e sua gangue. O lançamento é da editora Biblioteca Azul (432 págs., R$ 49,90).

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave