Enfrente a dança do mar

Se sofre de enjoos ao andar de navio, carro, avião... não se desanime: tem prevenção

iG Minas Gerais | Tânia Ramos |

De longe. Pessoas que sofrem desse mal-estar ao navegar, somente observam o zarpar dos navios
TIM OCKENDEN
De longe. Pessoas que sofrem desse mal-estar ao navegar, somente observam o zarpar dos navios

Com a popularização dos cruzeiros marítimos pela costa brasileira, uma cena tornou-se muito comum nos portos turísticos: enquanto o navio zarpa, abarrotado de pessoas eufóricas pelas experiências que lhes aguardam em alto-mar, outras tantas, desalentadas, só espiam de terra firme. E não estamos falando de parentes em despedida, mas sim daquelas pessoas que, ao simples marulhar das ondas, já sofrem um mal-estar. E também não se trata só de passeios de barco. Para aqueles indivíduos sensíveis aos movimentos dos meios de locomoção, até um passeio de carro ou mesmo de avião pode se transformar num verdadeiro pesadelo. Rodas-gigantes e montanhas-russas, então, nem pensar.

A professora Sânia Mara Gonçalves que o diga. Desde criança, que, segundo ela, sempre passou longe de brinquedos como balanço ou de diversões, igualmente comuns no meio rural – ela é filha de fazendeiro –, como andar a cavalo. “Até uma simples viagem de carro sempre foi um suplício. É um constrangimento, mas, dependendo do dia, nem bem andamos uns 5 km e eu sou obrigada, muitas vezes, a pedir para parar”, lamenta.

Prevenção

A boa notícia é que esse mal-estar geral, provocado por um distúrbio do movimento denominado cinetose – que se manifesta com tonturas, enjoos, vômitos e, dependendo da intensidade, até com desmaios –, pode ser previamente controlado, informa o vice-presidente da Sociedade Mineira de Otorrinolaringologia, Bruno de Castro.

Apesar de o problema não ter cura, não implica que as pessoas acometidas por esse distúrbio devam ser privadas, segundo ele, de vivências que envolvam movimentos externos ao corpo, quando parado. O contrário também – ou seja, quando o corpo se adapta ao movimento e, depois, pisa em uma superfície parada – pode provocar muito desconforto, conhecido com “mal do desembarque".

O médico recomenda procurar um otorrino, que, após avaliar o nível de equilíbrio, encaminha a pessoa “para fazer reabilitações vestibulares do equilíbrio, conduzidas por fonoaudiólogos ou por otorrinos, sempre que for viajar”. Se necessário, o médico ainda pode prescrever um medicamento para uso durante a viagem, com uma dosagem que “não deprima o sistema nervoso central”, garante Castro.

O otorrinolaringologista explica que os sintomas da cinetose aparecem com maior ou menor intensidade, dependendo da sensibilidade do paciente. “Isso ocorre porque o cérebro fica confuso com as informações conflitantes fornecidas pelo labirinto, pela visão e pela propriocepção (sensação da sola do pé), que são o tripé de nosso equilíbrio”, esclarece o profissional.

PARA CONTER O MAL-ESTAR

-Mantenha os olhos em um ponto fixo; -Evite olhar objetos ou situações em movimento, como as ondas do mar, por exemplo; -Não viaje em jejum e cuidado com as dietas radicais; opte por alimentos leves, evitando café, doces ou alimentos muito gordurosos. Coma a cada três horas;  -Beba mais água (no mínimo, seis copos por dia) e evite bebidas alcoólicas; -Fique em locais bem ventilados; -Evite contato com cheiros fortes: motor da embarcação (posicione-se no meio, onde balança menos); escapamento do carro e cigarro.

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