Ataques a UPPs partiram de presos do Comando Vermelho

Governo do Rio pede ajuda, e Dilma enviará Força Nacional e o Exército ao Estado

iG Minas Gerais |

Dia seguinte. No Morro da Mandela, em Manguinhos, o clima ontem era de medo após os ataques
Tania Rego / Agencia Brasil
Dia seguinte. No Morro da Mandela, em Manguinhos, o clima ontem era de medo após os ataques

Brasília. Em uma reunião de quase duas horas, a presidente Dilma Rousseff e o governador Sérgio Cabral acertaram o apoio de forças federais no combate aos ataques de organizações criminosas nas comunidades pacificadas do Rio.

Perguntado sobre quem atuará na ajuda que o governo federal enviará ao Rio, Cabral disse que ainda está combinando os detalhes da estratégia com os ministérios da Justiça e da Defesa, sinalizando que o reforço deverá contar com homens da Força Nacional (composta por quadros das polícias civil, militar e federal) e das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica).

Após a reunião, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que existe uma concepção muito clara de que “o governo federal e o governo do Estado Rio de Janeiro são mais fortes juntos do que o crime organizado.”

Cabral disse os ataques são uma provocação. “Há uma tentativa clara de desmoralizar as UPPs, que são uma referência”, afirmou. Já o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, voltou a dizer que tem certeza que a ordem para os ataques partiu de traficantes (do Comando Vermelho) que estão em presídios federais de segurança máxima fora do Estado do Rio. Pela manhã, o comandante geral das UPPs, coronel Frederico Caldas, disse não ter dúvidas de que os ataques foram orquestrados.

A ação teria sido definida em uma reunião entre criminosos das favelas de Antares e Chapadão na noite de quinta-feira. De acordo com informações de setores de Inteligência, criminosos revoltados com a expansão da política de pacificação vêm se articulando desde a semana passada para perpetrar ataques às UPPs. A ordem teria partido de presídios federais e chegado a traficantes de maior expressão na facção que conseguiram benefícios da lei e não voltaram para os presídios. Para atacar as UPPs, grupos já articulados com outros comparsas teriam saído da Zona Oeste em carros.

O comandante afirmou também que o sistema das UPPs está em estado “de alerta máximo” e que todos os comandantes foram orientados a se dirigir às bases de suas unidades. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) e o Batalhão de Choque foram acionados.

Horas depois de Cabral anunciar que iria a Brasília se encontrar com a presidente Dilma Rousseff (PT), a cúpula do Exército no Rio começou a se preparar para uma possível ordem para ocupação de favelas. Fontes dizem que o mais provável é que os militares retornem ao Complexos do Alemão e da Penha, na zona Norte, onde já atuaram por quase dois anos antes da implantação das oito UPPs.

Rotina alterada

Impacto. Ontem, 5.903 alunos das redes municipal e estadual ficaram sem aulas por causa dos ataques. Moradores disseram não ter ido trabalhar porque os ônibus não passaram. O metrô funcionou.

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