Brasileiros querem menos estresse e plano de carreira

Consultoria realizou um levantamento nos países do Bric

iG Minas Gerais | Pedro Grossi |

Preferência. Na Rússia, trabalhadores valorizam mais empregos que oferecem estabilidade
Stockxpert/divulgação
Preferência. Na Rússia, trabalhadores valorizam mais empregos que oferecem estabilidade

Embora os países emergentes tenham características comuns em suas políticas e indicadores econômicos, existem diferenças culturais marcantes, que se manifestam, entre outros campos, no mercado de trabalho. Uma pesquisa realizada pela consultoria EY (antiga Ernst&Young) com os países que integram o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) mostrou as diferentes expectativas que os profissionais alimentam sobre suas carreiras. O profissional brasileiro, por exemplo, valoriza conforto e diversidade cultural nos ambientes de trabalho, enquanto os russos são menos tolerantes às diferenças e procuram estabilidade.

“Há aspectos subjetivos que trazem alguns aspectos culturais de cada povo, mas há também similaridades, já que são países com a economia em desenvolvimento, com muitas oportunidades”, diz o gerente de capital humano da EY, Paulo Henrique Oliveira.

A pesquisa entrevistou mil profissionais nos quatro países, solicitando graus de relevância para itens como “possibilidade de crescimento e promoção” e “colegas de trabalho amigáveis e inteligentes”. O levantamento identificou que o profissional brasileiro valoriza empresas com pouco estresse e com plano de carreira e salários claramente definidos. Já o profissional indiano deixa essas questões em segundo plano, valorizando a possibilidade de desenvolvimento ou aperfeiçoamento de alguma habilidade técnica específica.

Mão de obra. O estudo também levantou dados sobre o impacto do custo da mão de obra. No Brasil, o custo do trabalhador e a inflação são os mais significativos fatores de pressão no custo das empresas. Já para Rússia, Índia e China, fatores como erosão de preços e regulação são considerados mais relevantes.

O estudo, que ouviu profissionais das áreas de engenharia, tecnologia e gestão, pretende subsidiar corporações mundiais e grandes empresas que atuam nesses países a criar mecanismos de retenção de talentos. “As empresas de economias de rápido crescimento estão observando uma mudança drástica de cenário nos últimos anos. Assim, a retenção, o desenvolvimento e formação e a alocação correta de talentos passam a ser prioridades na estratégia de crescimento das companhias", explica o diretor de capital humano da EY, Oliver Kamamura.

No Brasil, os anseios dos profissionais ainda estão sendo assimilados. “Estamos em uma janela de transição. As empresas estão aprendendo novas formas para manter profissionais. Há algumas décadas, bastava um aumento de salário, mas hoje isso é insuficiente”, diz Paulo Henrique Oliveira.

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