Campeão olímpico Cielo estreia pelo Minas com título metropolitano

Competidores do atleta eram jovens ainda no início de carreira, como Rafael Castro, de apenas 15 anos, fã do grande nome da natação brasileira

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

ESPORTES - BELO HORIZONTE MG - 21.3.2014 - Torneio Metropolitano de Natacao no Minas Tenis Clube em Belo Horizonte MG. Na foto o atleta Cesar Cielo campeao olimpico.
Foto: Douglas Magno / O Tempo
Douglas Magno / O Tempo
ESPORTES - BELO HORIZONTE MG - 21.3.2014 - Torneio Metropolitano de Natacao no Minas Tenis Clube em Belo Horizonte MG. Na foto o atleta Cesar Cielo campeao olimpico. Foto: Douglas Magno / O Tempo

Um torneio rotineiro, que não possui pódio, premiações ou medalhas, ganhou ares de um evento diferenciado unicamente pela presença de um campeão olímpico e mundial.

A participação do nadador Cesar Cielo no Torneio Metropolitano, que acontece até este sábado no Parque Aquático do Minas I, causou alvoroço em muita gente, que compareceu ao clube somente para tentar ver de perto o maior nome da modalidade brasileira em todos os tempos.

No primeiro dia de prova, Cielo confirmou a vitória nos 100m livre. Na chamada dos atletas de sua série, logo que seu nome foi mencionado, a idolatria pelo paulistano ficou clara.

Com alguma facilidade sobre os demais concorrentes, ele venceu e saiu da água com o melhor tempo entre todos os participantes. 

Na saída, o cansaço ficou evidente, assim como o fanatismo de muitos pequenos, que gritavam durante a entrevista em busca de atenção.

O torneio serve de preparação para o Troféu Maria Lenk, que acontece em abril, em São Paulo.

Neste sábado, ele volta a participar da competição nos 50m livre.

“O mais importante é fazer força, sentir dor e testar os treinamentos. Esta prova não é brincadeira. Toda vez que subo na baliza, é para fazer o melhor, não pode ser diferente. Fico feliz com esse primeiro título em um campeonato que tem  a mesma importância dos outros”, destaca o nadador, que ficou feliz com a boa presença de público.

“Acho que teve mais gente hoje do que no Maria Lenk  que competi aqui. Isso é bom, espero que se repita no sábado. Essa parte do assédio é a mais gostosa do sucesso. Quem sabe alguns destes não se tornem futuros campeões ?”, brinca.

Concorrentes motivados

A predominância sobre os demais concorrentes foi confirmada por Cielo, que tinha, entre os adversários, jovens que apenas começam a carreira nas piscinas. É o caso de Rafael Castro, de apenas 15 anos, que também disputou os 100m livres. “Claro que é uma motivação extra ter um cara como ele na mesma prova que eu. Me espelho nele e espero ser um profissional de alto nível um dia. Acredito que ele vá ganhar com alguma tranquilidade, já que trata-se de uma prova onde uma única braçada faz grande diferença”, analisava, antes de ser convocado para a raia.

Assédio antes e depois das provas

Antes mesmo do atleta se aquecer, muita atenção já era recebida, enquanto ele aguardava o início das provas sentado em uma cadeira ao lado da piscina.

Como tem acontecido com freqüência, desde que ele chegou a Belo Horizonte, a maior parte da atenção veio das crianças, bastante empolgadas em estar ao lado de quem antes era visto somente pela TV. A correria nas arquibancadas demonstrava a empolgação e felicidade dos pequenos, sabendo que sabiam que se tratava de um momento único.

Se não fosse pela presença do nadador, dificilmente o torneio receberia tanta atenção como pôde ser visto. Nem a ameaça de chuva e os pingos que caíram desanimaram a torcida que compareceu.

“Peguei o autógrafo dele para minha irmã. Ele assinou na touca dela, que agora vai ficar de recordação. Infelizmente, ela vai ter que comprar outra”, disse o jovem Arthur Guimarães, de nove anos, um dos trigêmeos. Na hora de tirar uma foto com o campeão, o garoto foi impedido por uma funcionária do clube. “Vou tentar mais tarde”, insistiu.

O item, agora, vai ficar de recordação em um lugar especial na casa da família. “Vou guardar muito bem guardado. Isso é um prêmio”, comenta a irmã Fernanda, prestes a integrar a pré-equipe de natação do Minas.

A terceira irmã, Clara, fez questão de fazer várias perguntas para Arthur. “A voz dele é bonita?”, foi apenas um dos motivos de interesse da menina, que não tinha dúvidas sobre o resultado final. “Ele sempre ganha e não vai ser diferente”, projetava.

Quem também fez questão de ir ao clube somente para ver Cielo foi Mateus Barros, de 11 anos, integrante da pré-equipe. Ele não conseguia tirar o sorriso do rosto, ao lado do pai, ao mostrar a foto com Cielo. Os responsáveis por ensinar as primeiras braçadas aos futuros atletas fizeram questão de produzir um recado, para ser entregue aos pais, informando sobre a competição e, é claro, sobre a presença de Cielo na piscina minastenista.

“Se não fosse pelo Cielo, a gente não viria. Recebi o recado dele e resolvi trazê-lo para dar um apoio a mais. É notório que o ambiente no clube já é outro”, comenta o pai do jovem, o médico Éverton Soares.

Apesar de afirmar que, pelo menos por agora, nada somente de brincadeira, Mateus mostrou toda a satisfação por estar mais perto de Cielo do que poderia imaginar. “Tirei uma foto dele com minha irmã e ela fez o mesmo por mim”, agradece.

Pipoca do Cielo

Outro que aproveitou a presença de Cielo, mas de um jeito diferente, foi o pipoqueiro Roni Corrêa, na profissão há 20 anos. Do lado de fora do clube, ele tentava vender um pouco a mais do que está acostumado. “Atenção, olha a pipoca do Cielo, quentinha e saborosa!”, gritava, tentando chamar atenção dos clientes.

Apesar das vendas não estarem como ele gostaria, a tentativa foi válida. “Tem que tentar fazer um marketing com o que está ao nosso alcance. A presença de um cara como ele só ajuda. Espero que esse comercial improvisado funcione”, brinca Roni, que costuma montar sua barraquinha em todas as competições de natação do clube, como foi o caso da Copa do Mundo.