Comunidade da Vila Marçola está aliviada com condenação de ex-PMs

Para tio de uma das vítimas mortas pelos ex-policiais, mais importante para a família era deixar claro que vítimas não tinham ligação com tráfico de drogas; advogado de defesa diz que recorreu pela anulação do júri

iG Minas Gerais | Suellen Amorim |

Cidades - Julgamento dos dois ex - policiais militares Jonas David Rosa  e Jason Ferreira Paschoalino 28 acusados pelo duplo homicidio de Renilson Veriano da Silva 39 e o sobrinho dele Jeferson Coelho da Silva 17 moradores do Aglomerado da Serra , na regiao Centro - Sul de Belo Horizonte MG. O caso aconteceu em fevereiro de 2011 . A sessao acontece no 1 Tribunal do Juri do Forum Lafayette . Na foto: Juiz Carlos Henrique Perpetuo Braga  e os reus , ex - policiais militares Jonas David Rosa  e Jason Ferreira Paschoalino 28  . Foto: Alex de Jesus/O Tempo 18/03/2014
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Cidades - Julgamento dos dois ex - policiais militares Jonas David Rosa e Jason Ferreira Paschoalino 28 acusados pelo duplo homicidio de Renilson Veriano da Silva 39 e o sobrinho dele Jeferson Coelho da Silva 17 moradores do Aglomerado da Serra , na regiao Centro - Sul de Belo Horizonte MG. O caso aconteceu em fevereiro de 2011 . A sessao acontece no 1 Tribunal do Juri do Forum Lafayette . Na foto: Juiz Carlos Henrique Perpetuo Braga e os reus , ex - policiais militares Jonas David Rosa e Jason Ferreira Paschoalino 28 . Foto: Alex de Jesus/O Tempo 18/03/2014

A comunidade da Vila Marçola, no aglomerado da Serra, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, está aliviada com a condenação dos ex-policiais militares Jason Ferreira Paschoalino, de 28 anos, e Jonas David Rosa, de 27 anos, a 23 anos e 6 meses cada um pelo assassinato de Renilson Veriano da Silva, de 39 anos, e do sobrinho dele Jeferson Coelho da Silva, de 17, que moravam na região.

Para o auxiliar de escritório Jailson Veriano da Silva, que era tio de Jeferson e um dos quatro irmãos de Renilson, o mais importante para a família era esclarecer que as vítimas não tinham ligação com o tráfico de drogas. “Nossa preocupação era com o nome da família e das vítimas. A condenação era uma questão secundária”, alega Silva, que acredita que o trabalho da Polícia Militar é importante para o aglomerado.

Jailson Silva ainda lembra, comovido, que não foram só as vidas dos parentes que foram interrompidas, mas também a do cabo Fábio de Oliveira, encontrado morto em sua cela seis dias após o crime.

O técnico de mecânica industrial e líder comunitário da Vila Marçola, Antônio João, acredita que a justiça foi feita. João afirma que as vítimas tinham um bom relacionamento com todos e foram mortas de maneira truculenta. “A gente não é contra o trabalho da polícia. Quero que eles (os policiais) façam um trabalho correto, com respeito e diálogo”, complementou. 

Relembre o julgamento

O julgamento dos réus durou três dias e foi encerrado nesta quinta-feira (20), quando aconteceu a fase de debates entre promotoria e defesa. Não houve tréplica após a exposição e a instrução foi encerrada. A condenação foi decidida em uma votação apertada, por 4 votos a 3.

Cabe recurso para a condenação de 23 anos e 6 meses, mas os ex-policiais condenados Jonas e Jason não poderão aguardar em liberdade.

Segundo o juiz Carlos Henrique Perpétuo Braga, o fato de os réus não negarem que estavam no local do crime foi um atenuante. Uma vítima foi morta por motivo fútil e a outra, para acobertar o primeiro crime. O magistrado disse também que preferiu não somar as penas e que, se houver recurso, outro juiz é quem deve definir.

Ércio Quaresma, advogado dos ex-policiais, afirmou que o recurso já foi feito e que ele quer a anulação do júri por causa do depoimento da costureira, que disse que a farda pertencia a Jason. Segundo o advogado, o primeiro depoimento dela foi considerado nulo e, mesmo assim, usado pelo promotor. Ainda segundo Quaresma, a sentença se afastou das provas e, por isso, ele deve recorrer. Relembre o crime

Na madrugada de 19 de fevereiro de 2011, uma incursão policial contra o tráfico de drogas na Vila Marçola, no aglomerado da Serra, terminou com dois mortos, que se tratavam de um filho e um irmão de outro policial militar.

Houve um tiroteio entre policiais e suspeitos, deixando um policial ferido e dois suspeitos baleados, que foram socorridos, mas morreram antes mesmo de serem atendidos.

Na época, houve protestos no aglomerado contra a violência policial. Os familiares das vítimas alegaram que as vítimas jamais tiveram envolvimento com o mundo do crime.

O réu Jason Ferreira Paschoalino já havia sido condenado a 12 anos de prisão  por outro homicídio cometido em julho de 2010, no bairro Nova Suíça. 

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