Zagueiro do Minas Boca revela que 'Waltinho' não é o supervisor da URT

Reginaldo explica que Walter Lima, ex-técnico da Patrocinense, foi quem ofereceu os 10 mil reais. Treinador não responde ligações telefônicas

iG Minas Gerais | FREDERICO RIBEIRO |

Mais um capítulo na história do suborno que o zagueiro Reginaldo sofreu antes da partida do Minas Boca e URT, pela última rodada da primeira fase do Mineiro. Em entrevista exclusiva ao Super FC, o defensor da equipe de Sete Lagoas explicou que o responsável pelo oferecimento dos 10 mil reais é, na verdade, Walter Lima, ex-técnico da Patrocinense, e não Walter José de Souza, o supervisor da URT.   "Conheço ele (o Waltinho, das conversas telefônicas), já me arrumou proposta de outros times. Ele me levou para a Patrocinense, em 2013. É o Walter Lima, que chegou a me treinar lá, mas por pouco tempo. Então, ele foi substituído por João Carlos, que foi meu treinador no Minas Boca", afirmou Reginaldo.   O Minas Boca acabou citando o nome do supervisor na 'Notícia de Infração' encaminhada no TJD-MG, mas já levou o nome de Walter Lima para o Tribunal na última quinta-feira. De qualquer maneira, o funcionário da URT se diz difamado e deve entrar na Justiça contra o presidente Edson Paredão, do Minas.   Walter Lima teve o seu número de telefone informado pelo Minas Boca ao Tribunal de Justiça Desportivo de Minas Gerais. Contudo, a reportagem do Super FC fez novas tentativas de conversar com o técnico, que chega a atender o telefone, mas logo desliga a ligação.   Reginaldo deu detalhes de como Walter o abordou no dia do jogo em Patos de Minas. O zagueiro disse que o primeiro contato veio no sábado, via telefone. Sabendo que se tratava de uma proposta antidesportiva, Reginaldo pediu para 'Waltinho' ligar no dia seguinte.   Entre uma ligação e outra, o atleta comunicou a diretoria do Minas Boca e o técnico João Carlos. No domingo, Walter voltou a ligar e João Carlos deu as instruções: "O Walter me ligou e eu estava no hotel, no sábado. Já me adiantou que o Luiz Eduardo, técnico da URT, tinha ligado para ele para o suborno. Eu teria que cometer um pênalti no fim do primeiro tempo. Falei para ele me ligar no domingo e eu avisei o João Carlos. O João me pediu para colocar no viva-voz porque ele iria gravar a conversa no próprio celular", disse Reginaldo.   Reginaldo já deixou o Minas Boca e está de mudança de Sete Lagoas. Ele tinha contrato até o dia 1º de abril, mas o presidente do clube, Edson Paredão, fez um acordo com os jogadores para antecipar o fim do contrato deles, acertando salários e luvas.   O zagueiro entrou em campo preocupado. Ele afirma que não acreditava que outros cinco companheiros haviam se vendido, como Walter afirmou ao telefone. Mas tinha medo de cometer um pênalti, ocasionalmente, e ser acusado de ter aceitado o suborno.   Um dos grandes protagonistas neste caso evita falar do assunto, pediu para a diretoria do Minas Boca poupá-lo ao máximo. Mas não terá como ser uma figura nula nas investigações. O TJD irá intimá-lo e Reginaldo adiantou que está "à disposição para isso".

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