O maior dos amores

iG Minas Gerais |

Na penumbra de um sonho surgiram feixes de luz. O anúncio de uma nova vida. De um amor que ela jamais conhecera. Teve medo por alguns dias. Mas logo foi tomada pela coragem. A mesma que seguiria com ela vida afora. Não estava mais só. Daquele momento em diante seriam um. E foi assim. Juntos, começaram a crescer. Ele, em seu ventre. Ela, na essência do próprio ser. E quando, num 21 de março chuvoso, teve o menino em seus braços, pôde, então, reinventar seu conceito de amor. Era o maior que ela já sentira.

Ainda não tinha noção de como esse amor era capaz de crescer e tornar-se ainda mais sublime. Multiplicava-se a cada dia, a cada momento de convivência. Rápido como o passar do tempo. Fortalecido em cada nova fase. E ela sempre ali, a observar os passos da criança. No cair da noite, quando o menino adormece, a mulher deseja intensamente como em oração:

Ah, menino faceiro, dorme o sono dos anjos. Descansa, pois terá vida longa. Fortaleça-se. Cresça curioso para encontrar seus caminhos e suas muitas histórias. Contos, versos, prosas e canções.” “Fala, menino tagarela, conta as peraltices, conheça os números, descubra as palavras. Cria seu próprio dicionário. Encontra seus propósitos, busca seu sucesso. Vá e pronto.”

“Guarda, garoto, os carrinhos de que não gosta. Recorra, então, aos bonecos, aos heróis, aos pokémons. Brinca. Remexa os guardados da vovó. Aventure-se. Na agilidade do seu corpo, encontra o talento em seus pés, menino. Conduz a bola como se conduzisse a vida – habilidade que nem todos conseguem desenvolver.”

“Cresça chutando e, quando olhar de novo, já estará maior. Siga a comemorar gols como conquistas. Aprende a tocar a bola. Dá o passe aos colegas e sela também amizades. Algumas serão para a vida inteira. Nunca permita que roubem sua lealdade.”

“Dribla, menino. Dá show. Saiba como enfrentar as dificuldades. Elas são como barreiras formadas por gigantes. Cedo descobrirá que nem tudo será fácil. O equilíbrio vai ajudá-lo a vencer.” “Siga sempre. Levanta a cabeça. Olha nos olhos. Encontra o real. Mas também acredite no sonho. Idealiza, garoto criativo. Cria alternativas. Não desista. Como é valente esse menino mágico! Menino que faz desaparecer o rancor dos dias ruins. Tão jovem e já tão capaz de multiplicar o perdão.”

“Ah, menino romântico... Nunca se esqueça de ser gentil. O seu carinho é acalanto para aqueles que te amam. Faz desaparecer as dores, faz nascer sorrisos. Me faz ser melhor.”

“Ora, menino teimoso, aprenda com seus erros e abra os ouvidos: o tempo não espera. Desça aí do alto, menino sonhador. Reduz, só um pouquinho, as horas de voo e vem nos fazer feliz. Argumenta e se rebela. Descubra-se, menino dos porquês. Seja nas suas perfeições ou nas imperfeições. Encontra a si mesmo.”

“Ganha o mundo... Hoje te presenteio com asas, mas te dou também o cheiro doce do nosso lar, o abraço que envolve a sua alma, o colo quente e macio e o amor que cura toda e qualquer dor. Tudo para que aprenda a seguir e voltar sempre que for necessário...”

A mãe abre então os olhos, suspira e sorri. Agradece imensamente a Deus pelos 12 anos do menino. Desliga o videogame. Cobre o garoto que dorme atravessado no sofá e o deixa ali mesmo, pois não consegue mais carregá-lo para a cama. Ajeita o travesseiro, acerta o lençol. Afaga os cabelos, o beija serenamente e fala ao pé do ouvido: “Boa noite, Lucas. Feliz aniversário, meu filho, meu maior amor”.

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