Dupla é presa com droga, arma e família denuncia 'violência' da PM

Um dos suspeitos já cumpriu pena por homicídio, mas, segundo parentes, estava "levando uma vida certinha"; tenente-coronel responsável pelo batalhão se limitou a dizer que o caso será analisado

iG Minas Gerais | CAROLINA CAETANO |

Cidades- Contagem_MG
Tiroteio e denuncia de violencia policial na rua Osorio de Morais, em Contagem
FOTO: OSVALDO RAMOS / O TEMPO- 20.03.2014
Cidades- Contagem_MG Tiroteio e denuncia de violencia policial na rua Osorio de Morais, em Contagem FOTO: OSVALDO RAMOS / O TEMPO- 20.03.2014

Mais uma vez, militares do 39º Batalhão de Polícia Militar são acusados por moradores de um aglomerado de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, de violência durante uma abordagem policial. Desta vez, o caso aconteceu na noite dessa quinta-feira (19), durante uma ação contra o tráfico de drogas no Aglomerado Frigo Diniz. Dois homens, ambos de 22 anos, foram presos e, ainda segundo parentes, foram agredidos. Os suspeitos, segundo a polícia, já têm antecedentes criminais por tráfico de drogas e porte ilegal de arma.

Conforme informações registradas no boletim de ocorrência da corporação, Jonatas Rafael Candeias, de 22 anos, conhecido como “Jhon”, e Wellington do Carmo Souza, identificado pelo apelido de “Barata”, estavam em atitude suspeita na rua Dois. Ao avistarem a viatura, eles fugiram, mas foram localizados e, durante revista, policiais encontraram com Jhon uma pistola 9mm e mais 33 cartuchos. Já com Barata foram encontrados 13 porções de crack.

Os suspeitos ainda levaram os militares em duas casas, que seriam usadas para comércio do tráfico de drogas, onde foram encontrados mais maconha, cocaína e duas balanças de precisão. Em conversa com a corporação, Jhon teria confirmado que participou de um tiroteio entre criminosos e a polícia no aglomerado, na última sexta-feira (14), que terminou com uma militar ferida.

Ainda no registro da ocorrência consta que nessa quinta, durante a operação, moradores do bairro se revoltaram e tentaram agredir os militares que tiveram que usar balas de borracha para conter os ânimos dos moradores. Não houve registro de feridos, mas Marcelo Hortêncio da Silva, de 41, foi preso por desacato a autoridade.

No entanto, a versão apresentada pela família de um dos detidos é diferente. Segundo a irmã do suspeito, que, por medo de represálias, pediu para não ter o nome divulgado, os policiais invadiram a casa da sua mãe procurando por Jhon.

“Eles já tinham vindo aqui no sábado (15). Entraram na casa da mãe procurando por ele e disseram que se ele não aparecesse em três dias iam pegar a companheira e o filho dele de um ano. Os policiais disseram que não iam pegar para prender e, sim, para matar”, contou.

A mulher não soube informar se o irmão participou do tiroteio que deixou a policial ferida, mas confirmou que ele já cumpriu pena por homicídio em 2011. “Ele realmente foi preso porque matou o meu marido, que estuprou nossa filha de 5 anos. Meu irmão cumpriu pena no Ceresp de Betim e, agora, estava levando uma vida certinha”, explicou.

Ainda segundo a mulher, Jhon e Barata foram agredidos pelos policiais. “A polícia bateu muito. Minha mãe teve que limpar o rosto do filho, que estava ensanguentado”, disse. Porém, na manhã desta sexta-feira (21), ela esteve com irmão e afirmou que ele apresentava “apenas um sangramento no nariz”.

A denunciante ainda contou que o irmão e o amigo chegaram à 6ª Seccional de Contagem às 06h40, nove horas após a confusão. Mas a reportagem de O TEMPO fez contato com um dos militares que atendeu a ocorrência às 05h25 e, segundo ele, os suspeitos estavam na delegacia há muito tempo.

A reportagem também procurou o responsável pelo 39º Batalhão e foi informada que o caso será investigado. “Temos que saber o que realmente aconteceu na ocorrência. O caso vai ser analisado”, resumiu o tenente-coronel Ronan Gouveia.

Outros casos

Os militares do 39º Batalhão já foram acusados, pelo menos, outras duas vezes de abuso de autoridade. No ano passado, uma enfermeira denunciou os policiais após acionar uma viatura depois de brigar com o namorado.

Segundo ela, os profissionais eram conhecidos do seu companheiro e ela foi agredida e xingada pelos militares.

Já em fevereiro deste ano, moradores da Vila Marimbondo alegaram que, durante uma ação, eles foram agredidos. Fotos mostram os machucados que teriam sido causados pelos PMs.

“Em relação à enfermeira, o caso é investigado pela corregedoria da Polícia Militar. O da família que diz ter sido agredida está sendo averiguado no batalhão. Ainda não temos nenhuma posição”, se limitou a dizer o tenente-coronel. 

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