Empresa usou imóvel de fachada para emitir notas

Moradores da rua Hum, no Vila das Flores, disseram que nunca existiu atividade na loja

iG Minas Gerais | Da Redação |

Depois. 
Após denúncias, loja usada como sede recebeu acabamento, mas continua sem funcionar
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Depois. Após denúncias, loja usada como sede recebeu acabamento, mas continua sem funcionar

No esquema de aplicação irregular de verbas públicas federais através dos convênios Socialização e Pró-Jovem, administrados pela Semas, na gestão de Léo Contador, durante o ano de 2013, surgiu Adriana Clarindo de Souza, irmã de Carlos Clarindo de Souza, o Carlão, que recebeu, apenas no mês de setembro do ano passado, R$ 67.117 em cheques da Irmãos Glacus.

Procurada pela reportagem, ela estranhou os valores e disse “não recebeu esse dinheiro”. Porém, ela confirmou a abertura de uma empresa individual para emitir notas de lanches para a prefeitura.

Adriana revelou que a empresa servirá para emitir notas de lanches para a ONG, a partir de abril. Ela, no entanto, pode ser apenas uma das peças do esquema montado pelo braço-direto de Léo Contador, Carlão, usando seus familiares. A esposa de Carlão, Maria Bramut, é funcionaria da entidade Irmãos Glacus e responsável por organizar o pagamento das notas emitidas.

A empresa criada por Adriana, até então, não teria condições para produzir e atender à demanda gerada pela Semas através dos convênios Socialização e Pró-Jovem, que, apenas no mês de setembro, rendeu o pagamento de R$ 67.117, conforme cheques revelados pelo vereador Antonio Carlos (PT).

De acordo com Adriana, Carlão era quem providenciava tudo, e ela nada sabia em relação ao funcionamento da empresa.

Segundo documentos levantados pela Controladoria do município, Carlão apresentava notas fiscais de julho de 2013 de entregas de refrigerantes, sucos, queijos, presuntos e mortadelas, além de pães, achocolatados, doces, bolos e verduras.

As notas fiscais da empresa da irmã de Carlão apresentam como endereço a rua Hum, 55, no bairro Vila das Flores. A reportagem esteve no local e encontrou a residência da irmã e da mãe de Carlão, além de uma lojinha com duas portas e cerca de 24 m² de área construída, mas ainda fechada e vazia, sem infraestrutura nem alvarás de funcionamento da prefeitura e autorização da Vigilância Sanitária.

A reportagem, por mais de uma semana, tentou identificar algum movimento, porém, nenhuma pessoa entrou ou saiu do local. Os vizinhos entrevistados declararam que no endereço nunca funcionou qualquer atividade e que as portas colocadas recentemente sempre permanecem fechadas.

Apesar de todos esses elementos indicarem que a empresa é somente de fachada, mais de R$ 240 mil teriam sido emitidos em notas fiscais da Irmãos Glacus, somente no segundo semestre de 2014.

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