Tensão e suspense vividos em um inseguro lar

Regina Duarte lidera elenco formado ainda por Kiko Bertholini e Mariana Loureiro; peça é primeira direção de Murilo Pasta

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Inédita. “Bem-vindo, Estranho”, texto da britânica Angela Clerkin, é montado pela primeira vez no Brasil
STUDIO TREND
Inédita. “Bem-vindo, Estranho”, texto da britânica Angela Clerkin, é montado pela primeira vez no Brasil

As tramas de suspense são, sem dúvida, um carro chefe do cinema produzido desde sempre. Já inspiraram diretores que se tornaram famosos, como Alfred Hitchcock e seus clássicos filmes “Janela Indiscreta”, “Psicose” e “Festim Diabólico”, dentre outros.

No entanto, o sucesso vindo das telas não se reflete nos palcos, já que raramente tais tramas ganham lugar em produções teatrais. Pois o espetáculo “Bem-vindo, Estranho”, que estreia este fim de semana em Belo Horizonte, é uma boa oportunidade para o público experimentar uma narrativa teatral de qualidade no gênero ainda pouco vista.

Protagonizado por Regina Duarte, o espetáculo é a primeira montagem teatral da obra ‘Be Mine’, de autoria da dramaturga britânica Angela Clerkin. A história se passa em Londres, onde mãe e filha – Jaki e Elaine – veem estremecer as próprias relações após a chegada de um “estranho” – Joseph, o namorado e cliente de Elaine. Julgado pelo assassinato de sua namorada anterior, Joseph é absolvido e passa a viver no mesmo apartamento em que mãe e filha.

Conflito. A dinâmica do espetáculo é ditada pela alternância entre momentos de afeto e calor humano genuínos e outros marcados por uma maquiavélica e implacável manipulação à qual Jaki submete a filha. Assim, momentos de drama intenso se alternam com pitadas de leveza, humor e sensualidade. Em paralelo, ficam claros os jogos intrínsecos às relações humanas. Até que ponto receber um estranho em casa pode abalar uma relação de confiança?

“Essa personagem é extraordinária, do tipo que eu entraria na fila para fazer”, destaca Regina Duarte, intérprete da mãe. Sobre o processo de construção de Jaki, Regina destaca algumas estratégias de criação empregadas durante o desenho da personagem. “Na peça, lidamos com a patologia da compulsão, da dificuldade de se controlar quando a emoção é muito forte. Por isso, fui atrás de pontos de vista históricos, sociológicos, psicológicos e médicos. Há uma possibilidade enorme de características humanas a serem exploradas”, afirma a atriz.

Se a narrativa pode parecer nova ao público de teatro, ela não tem causado estranhamento àqueles que já foram assistir à peça. O clima de suspense e a relação familiar conflituosa, temperada pela chegada de um terceiro elemento no ambiente íntimo das duas, parece agradar ao público. “A recepção é maravilhosa. Tenho certeza que há uma identificação da plateia. A peça é um triângulo e a chegada do namorado da filha mexe com o equilíbrio da relação das duas, gerando conflitos e disputas”, diz a atriz.

Com longa carreira nas telenovelas, no teatro e no cinema, Regina segue estimulada a dar sequência em sua carreira. “Quero estar sempre em cena e enfrentando novos desafios. Desejo ardentemente que autores, produtores e diretores me chamem para outros trabalhos condizentes com o alto nível de qualidade de tudo que tenho feito até hoje. Pode vir de qualquer meio de comunicação: cinema, teatro ou televisão”, finaliza.

Debate. A vinda de “Bem-vindo, Estranho” a Belo Horizonte faz parte do Projeto Vivo Encena, que, além de espetáculos, busca trazer outros olhares sobre a produção cultural e teatral no país, oferecendo ao público atividades como bate-papos e oficinas com os artistas convidados. Depois da apresentação de sábado, haverá um debate com a equipe da peça “Bem-vindo, Estranho”, mediada pelo pesquisador em gestão cultural e curador do projeto Expedito Araújo.

Serviço. “Bem-vindo, Estranho”. Hoje, às 21h, amanhã, às 20h, e domingo, às 19h, no Cine Theatro Brasil (rua dos Carijós, 258, centro). Ingressos: Plateia I: R$ 80 (inteira); Plateia II (mezanino): R$ 70 (inteira).

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