Um britânico que navega pelo blues do Mississipi

iG Minas Gerais | Ludmila Azevedo |

O repertório do artista passa pelo melhor da música negra dos EUA
chevrolet Hall/divulgação
O repertório do artista passa pelo melhor da música negra dos EUA

A música negra norte-americana sempre foi uma grande referência para artistas britânicos. Os Rolling Stones mesmo têm uma série de álbuns com canções de Robert Johnson, Chuck Berry e Muddy Waters. Nos projetos paralelos, Keith Richards não economiza no blues, Charlie Watts possui uma banda super cool de jazz e Mick Jagger, bem, ele é ator nas horas vagas.

Com dois ótimos discos de estúdio, Hugh Laurie mostra que mais do que um hobby, a canção que bebe na fonte do rio Mississipi, faz parte de seu talento. Com uma voz segura, que por vezes ganha um quê meio anasalado numa pegada mais folk, ele ainda é um exímio pianista.

Em “Let Them Talk”, com 15 faixas, Laurie vendeu cerca de um milhão de cópias pelo mundo afora, revisitou clássicos do blues de New Orleans como “Battle of Jericho” e “Police Dog Blues”. Há ainda participações especiais de Dr. John em “After You’ve Gone”, e Tom Jones e Irma James em “Baby, Please Make a Change”. O conjunto reúne exemplares e lamento e outros bastante vibrantes com arranjos caprichados de Allen Toussaint.

Raízes musicais. O ator, escritor músico e cantor é influenciado pela geração dos Rolling Stones, mas especialmente por aqueles que deram origem à série como Louis Armstrong, Bessie Smith e Blind Lemon Jefferson. As referências ficam ainda mais aprofundadas em “Didn’t It Rain”, segundo disco também produzido pelo guitarrista Joe Henry, gravado no lendário estúdio Oceano Way, em Los Angeles, por onde passaram nomes como Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e Nat King Cole.

O álbum traz Laurie no encarte tocando um piano infantil, coisas do humor inglês. E no recheio estão composições de medalhões como os veteranos W.C. Handy e Jelly Roll Morton, assim como bluesmen recentes como Dr. John e Alan Price. São 13 faixas dentre as quais se destacam “The St. Louis Blues”, “Careless Love” e “One For My Baby”.

O estilo será uma constante nos próximos trabalhos, ele garante. “E quanto mais fundo eu vou, mais encantado eu fico – tanto pelas canções, quanto pelas pessoas com as quais eu tenho tido a sorte de poder dividir o palco”, disse o artista à época do lançamento.

No Brasil com uma verdadeira big band – serão oito músicos ocupando o palco do Chevrolet Hall na noite de hoje–, Hugh Laurie vem se entregando aos prazeres do país tropical. Quem quiser acompanhar seu diário de bordo, pode procurá-lo no Twitter (@hughlaurie) onde fotos de Copacabana se alternam com impressões cotidianas. Vai que ele descobre a riqueza da música de raiz brasileira? Seria um presente para os fãs não apenas do Dr. House.

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