Greves deixam Betim sem saúde, educação e limpeza

Professores e agentes cruzaram os braços; BR–381 foi interditada em protesto; educadores farão nova assembleia na sexta-feira (21); rede infantil também vai parar

iG Minas Gerais | DAYSE RESENDE |

Em manifestação na segunda-feira (17), servidores da educação paralisaram a BR–381
Nelson Batista
Em manifestação na segunda-feira (17), servidores da educação paralisaram a BR–381

Paralisações realizadas por funcionários municipais da Limpeza, da Saúde e da Educação, que reivindicam melhores salários e condições de trabalho, afetaram vários serviços essenciais em Betim nesta semana. Dessas categorias, apenas os trabalhadores da limpeza urbana tiveram as reivindicações atendidas pela prefeitura e já voltaram a trabalhar. Nos demais setores, no entanto, a situação tende a piorar nos próximos dias, já que mais profissionais vão paralisar os serviços.

A diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Denise Romano, informou que, nesta sexta-feira (21), às 9h, haverá uma nova assembleia com a categoria, com redução de módulo no primeiro turno e paralisação total da educação infantil. A categoria exige que o governo municipal inicie as negociações, e, caso isso não ocorra, poderá ser iniciada uma greve por tempo indeterminado.

“Até agora, a prefeitura não sinalizou qualquer negociação. Protocolamos nossa pauta no dia 10 de fevereiro, mas não tivemos resposta. Se a prefeitura não abrir as negociações, vamos radicalizar o movimento, inclusive, com a possibilidade de começarmos uma greve por tempo indeterminado”, afirmou Denise.

Entre segunda (17) e quarta-feira (19), 90% dos professores das escolas estaduais e municipais aderiram à greve nacional, deixando 45 mil alunos sem aula. No primeiro dia, parte deles fez uma passeata na praça Milton Campos. Logo depois, cerca de 150 educadores paralisaram a BR–381, na altura do bairro Citrolândia, causando um congestionamento de mais de 8 km nos dois sentidos. Os educadores exigem um reajuste salarial de 34%, o que inclui o aumento do piso nacional dos profissionais, de 8,32%, mais a reposição das perdas inflacionárias dos últimos anos. A pauta traz ainda itens que foram acordados com o município na campanha salarial de 2013, mas que não foram cumpridos.

Na saúde, auxiliares e técnicos em enfermagem, além de enfermeiros, irão se reunir para uma assembleia com indicativo de greve.

Há 40 dias, os agentes de saúde e de combate a endemias já estão com as atividades paralisadas no município. A situação é preocupante porque está chegando o período de maior número de casos de dengue.

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Betim (Sindserb), Geraldo Teixeira, a principal reivindicação é o pagamento integral do piso de R$ 1.014, que hoje é repassado mensalmente pelo Ministério da Saúde para o custeio do programa. “Em Contagem, o salário pago é de R$ 1.202,40. Em Betim, apesar de o prefeito ter assinado um acordo em 2013 garantindo o repasse integral, o valor foi mantido em R$ 724. Queremos que ele cumpra a sua palavra”.

A Prefeitura de Betim informou que uma comissão composta por integrantes do Executivo e e do Legislativo foi instituída para analisar as reivindicações. São eles: o secretário adjunto de Administração, Wagner Lara; secretária de Governo, Zizi Soares; secretária de Gabinete, Clélia Horta; secretária adjunta de Ouvidoria, Rita Mota; secretário de Saúde, Mauro Reis; secretária de Educação, Mary Rita do Prado; representante da secretaria de Planejamento, Vânia Estevão; e os vereadores Kleber Rezende e José Afonso de Oliveira, o Pãozinho.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave