Cheques reforçam indícios de desvio de verba federal

Assembleia Legislativa e órgãos, como PF e TCU, podem investigar irregularidades em convênios; Ex-secretário de Assistência Social, Léo Contador é um dos envolvidos

iG Minas Gerais | Da redação |



Demitidos, Carlão e Léo Contador são acusados de desvio de verba
Demitidos, Carlão e Léo Contador são acusados de desvio de verba

Novos cheques divulgados reforçam a suspeita de desvio de verbas estaduais e até federais dos convênios Socialização e Pró-Jovem, firmados entre a Prefeitura de Betim, através da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), e a entidade Núcleo Assistencial Irmãos Glacus, no ano de 2013. Na semana passada, O TEMPO já havia divulgado que os vereadores da bancada do PT na Câmara de Betim tinham pedido a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias.

Por se tratar de convênios que envolvem recursos do Estado e do governo federal, os indícios de irregularidades devem ser analisados também pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). As denúncias estão sendo levadas pelo vereador Antônio Carlos (PT) ao deputado estadual Rogério Correia (PT), líder do movimento “Minas Sem Censura”, formado por 23 deputados do PMDB, PT e PCdoB, dentre eles a betinense Maria Tereza Lara (PT).

As acusações envolvem o ex-secretário municipal de Assistência Social e vereador Léo Contador (DEM) e o ex-servidor público Carlos Alberto Clarindo, o Carlão. Juntos, eles seriam responsáveis por desvios de recursos públicos para outros fins.

De acordo com o ex-controlador do município Robspierre Miconi, demitido assim que o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) retornou de licença médica, a Controladoria Geral do Município identificou, no início deste ano, que parte dos recursos milionários repassados à entidade foi parar em contas bancárias pessoais de Carlão.

O ex-servidor e sua irmã, Adriana Clarindo de Souza, constam na relação de pagamento no Pró-Jovem e no programa Socialização. “Eles teriam recebido de maneira irregular mais de R$ 600 mil dos cofres públicos. Todos os cheques foram debitados nas contas dos convênios e suscitam desvios de recursos”, relatou Miconi.

Diante da gravidade das denúncias, o ex-controlador ressaltou que, além da Câmara e da Assembleia Legislativa, outros órgãos estaduais e federais, como a Polícia Federal (PF), o Tribunal de Contas da União (TCU), os Ministério Públicos Federal e Estadual, e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) podem investigar as denúncias.

Novos cheques

O vereador Antônio Carlos explicou que as denúncias vieram acompanhadas de alguns documentos que confirmam que Carlão e sua irmã, Adriana Clarindo de Souza, eram destinatários de cheques da ONG.

Cópia de um desses cheques foi apresentada durante a reunião da Câmara Municipal, no último dia 11, o que serviria como prova de que recursos federais foram recebidos pelo ex-servidor de empresas de transporte contratadas através do convênio. Nesta época, Carlão trabalhava como locutor na extinta Superintendência Municipal Eventos.

O petista também apontou a existência das cópias de outros dois cheques pela entidade, emitidos nos dias 10 e 30 de setembro de 2013, em favor de Adriana. Juntos, eles somam R$ 67.337,78.

Para Antônio Carlos, com a entrada de representantes da Assembleia Legislativa na investigação das denúncias, os envolvidos teriam a chance de se explicarem na instância mais alta de Minas Gerais.

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