Alta no preço dos alimentos compromete meta da inflação

Segunda prévia do IGP-M de março registrou inflação de 1,41%, resultado quase seis vezes maior do que o obtido na prévia de fevereiro (0,24%), puxada pela alimentação

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Divulgação
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A disparada dos preços dos alimentos aumentou o risco de que o teto da meta de inflação, de 6,5%, acumulada em 12 meses, seja rompido já no segundo trimestre.

Antes de contabilizar os estragos provocados pela seca nas regiões produtoras de alimentos, economistas consideravam que essa barreira seria ultrapassada, mas só em meados do ano.

O risco de antecipar o estouro da meta para os próximos meses ficou mais nítido na quarta-feira (19) após a divulgação de dois importantes índices de preços.

A segunda prévia do IGP-M de março registrou inflação de 1,41%, resultado quase seis vezes maior do que o obtido na segunda prévia de fevereiro (0,24%). O índice foi puxado pela disparada dos alimentos no atacado.

Também o alimento foi o vilão da inflação ao consumidor medida pelo IPC da Fipe. Na segunda quadrissemana deste mês, o índice subiu 0,68% e a alta do preço da comida respondeu pela metade da variação.

“O teto da meta de inflação pode ser rompido antes do final da Copa”, afirma o diretor de pesquisa da GO Associados, Fabio Silveira. Antes de conhecer os resultados do IGP-M e do IPC da Fipe, ele projetava que a inflação em 12 meses, medida pelo IPCA atingiria 6,8% em julho.

Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, faz coro com Silveira e aponta alguns fatores que sustentam essa previsão. “O IPCA deste mês apurado pela FGV mostra que, na ponta, a inflação ao consumidor está em 0,8%, em média, e nos últimos três dias bateu 1%.” Por isso, ele acredita ser mais provável a antecipação do rompimento da meta.

Nessa quarta-feira, por exemplo, o departamento econômico do Itaú Unibanco reviu para cima a projeção de inflação para este mês, de 0,7% para 0,8%. “Os dados na margem estão vindo mais pressionados”, diz o economista do banco, Elson Teles. Entre os focos de pressão apontados para a mudança de previsão estão a alta do preço do etanol e da gasolina e os alimentos.

“A inflação dos alimentos está pegando agora e também vai pegar no segundo semestre. E não só no Brasil”, diz o economista-chefe do banco J. Safra, Carlos Kawall. No seu prognóstico, o alimento vai deixar de ajudar a inflação neste ano.

Esse foi um dos motivos pelos quais ele ampliou de 6% para 6,3% a projeção do IPCA para 2014. Assim como Silveira e Rosa, Kawall diz que o limite para o estouro do teto da meta da inflação acumulada em 12 meses ficou mais tênue. Ele projeta para julho um IPCA acumulado em 12 meses de 6,66% e para junho de 6,4%. “Mas isso pode ser antecipado”, adverte.  

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