Conhecidos por formar casais, apps agora ajudam nas ‘DRs’

Mais de 20% dos usuários se sentem mais íntimos devido às conversas digitais

iG Minas Gerais | Abby Ellin The New York Times |

Diálogo. Segundo terapeuta, aplicativos podem ajudar a complementar uma terapia, mas a conversa entre o casal é fundamental
arquivo stockxpert
Diálogo. Segundo terapeuta, aplicativos podem ajudar a complementar uma terapia, mas a conversa entre o casal é fundamental

Nova York, EUA. Quando brigam, Steve S. e Sarah B. respiram fundo, pegam os smartphones e clicam em um aplicativo gratuito para bate-papo e aconselhamento de casais criado pela terapeuta na vida real, Marigrace Randazzo-Ratliff. O aplicativo ajuda o casal, que está junto há dez anos e tem dois filhos pequenos, a descobrir por que está discutindo.

“Quando você se sente bem em relação à outra pessoa, você trabalha junto e discute soluções até mesmo nos desafios mais difíceis”, disse Steve, 44 anos, que pediu para o sobrenome não ser citado. “Quando você não se sente bem em relação ao outro, você briga até mesmo pelas coisas mais irrelevantes. Nós usamos o aplicativo para nos ajudar a aprender o que nos leva a estar em um lugar no qual vamos nos valer do conflito”.

Há muito tempo as pessoas usam a tecnologia para achar parceiros, mas agora ela está desempenhando um papel crescente nos relacionamentos, segundo novo relatório do projeto internet do Pew Research.

Divulgado no mês passado, o estudo descobriu que entre 1.428 adultos em relacionamentos firmes, 25% dos que enviam torpedos escrevem para o parceiro quando estão juntos em casa. Vinte e um por cento dos usuários de celulares ou da internet se sentiram mais íntimos dos parceiros por causa das conversas digitais. Nove por cento resolveram brigas que não conseguiam resolver pessoalmente pela internet ou via SMS.

Assim, não causa surpresa que os novos aplicativos projetados para aprimorar a comunicação e suavizar ou prevenir os conflitos se espalharam.

Entre os novos aplicativos estão “Couple Counseling & Chatting”, “Embre” e “Romantimatic”; entre os antigos temos “Fix a Fight” e “Love Maps”.

Complementar. Leslie Malchy, terapeuta de casais de Vancouver, Colúmbia Britânica, diz que aplicativos do gênero têm o potencial de serem úteis, principalmente como “complementos do processo de terapia”. Porém, ela não recomenda essa abordagem para casais muito angustiados. Segundo a terapeuta, na verdade, alguns parceiros podem se esconder atrás de aplicativos “para permanecerem distantes”.

Já Marigrace afirmou que seu aplicativo gratuito, “Couple Counseling & Chatting”, nasceu de 25 anos de experiência como terapeuta de casais. “Eu queria ensinar às pessoas sobre conflito e resolução de conflito. Existem fatores estressantes na vida, maus hábitos do passado, coisas diferentes que se acumulam – e nós descontamos todo esse estresse no nosso cônjuge, infelizmente. A questão é se acalmar, para você mostrar que estão no mesmo barco”.

Os usuários preenchem uma autoavaliação na qual respondem perguntas: como você lida com a raiva? Você é um passivo-agressivo? Parte para o confronto direto?

Assim que os parceiros determinam o estilo de briga, eles recebem uma lição de casa, por exemplo, sentar e discutir uma situação específica ou entrar na banheira, para um esfregar os pés do outro. Depois que uma tarefa é concluída, os casais passam para a próxima série de perguntas. Teoricamente, eles podem ficar nessa toada para sempre.

O aplicativo conta com um componente de “avaliação da situação” para ajudar a identificar fatores externos que podem afetar o relacionamento: trabalho, perda recente, problemas familiares e grandes mudanças. Quem desejar uma avaliação pessoal, pode enviar um torpedo e receber a resposta em tempo real, o que é igualmente grátis.

Comprovação

Inexistente. Segundo estudiosos sobre o tema, ainda não existem estudos científicos explorando como ou se os programas criados para relacionamentos podem ajudar casais em crise.

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