Sindicatos preparam greves

Paralisações devem ser intensificadas em abril, prazo-limite para a concessão de reajustes

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Barulho. Trabalhadores da saúde podem ocupar as ruas neste ano novamente para pressionar governo a atender pauta de reivindicações
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Barulho. Trabalhadores da saúde podem ocupar as ruas neste ano novamente para pressionar governo a atender pauta de reivindicações

Em ano de Copa do Mundo e de eleições, as manifestações de rua devem ganhar aliados de peso no país: os servidores públicos. E o risco de grandes atos é ainda maior em Minas Gerais, especialmente em Belo Horizonte. Sindicatos de diversos setores do Estado planejam paralisações a partir de abril. Os atos, de acordo com representantes das categorias, vão ocorrer já prevendo dificuldades e o curto tempo para negociações com o governo estadual devido ao período eleitoral.

Sabendo do impacto negativo que os protestos geram nos governos, o funcionalismo público pretende usar as greves como forma de pressão nos Executivos. Nacionalmente, a Presidência da República tem tentado se precaver desses grandes atos. Não por acaso, a Secretaria Geral do Planalto encomendou documento, batizado de “Diagnóstico Preliminar da Copa”, no qual é apontado, entre outros aspectos, o risco de manifestações nas 12 cidades-sede do torneio. E o diagnóstico encontrado em Belo Horizonte é de que as greves de servidores podem “engrossar as manifestações”.

Em Minas, servidores da Saúde e da Educação e auditores fiscais garantem já ter apresentado suas reivindicações. Mas, por ainda não terem sido atendidos, não descartam parar de trabalhar. O caso mais grave parece ser o do ensino. A coordenadora geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, afirma que a campanha por melhores condições de trabalho começou em janeiro e, apesar do pedido de negociação com o Estado já ter sido feito, ainda não houve uma conversa. “Nossos pedidos não foram atendidos. Estamos no nosso terceiro dia de greve nacional e a próxima paralisação estadual está programada para 24 de abril”, explica.

Coordenador do Sindicato da Saúde de Minas (Sind-Saúde), Renato Almeida de Barros explica que a categoria vai se reunir no próximo dia 25 para ouvir a proposta do governo. Caso as reivindicações não sejam atendidas, é grande a chance de greve. “Entendemos que o governo tem que tomar uma posição antes de 8 de abril, já que nossos pedidos envolvem impactos financeiros e a legislação eleitoral não permite concessão de benefícios aos servidores a menos de seis meses da eleição”, justifica.

Segundo ele, a chance de haver movimento unificado dos servidores mineiros é grande, já que “o governo não avança na pauta há quatro anos”. “O sentimento de insatisfação é geral. Não nos interessa se é ano de eleição e se o governo tem outros problemas”, diz Barros.

Já a presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual (Sindifisco-MG), Deliane Lemos, garante que a categoria vai definir em abril a pauta de reivindicações. “Se não formos atendidos, vamos programar os atos. Neste ano, por ser ano de Copa e eleição, terá muitos movimentos. Em maio e junho, as greves devem se intensificar. Vamos aproveitar que as atenções e a mídia estarão voltadas para cá”, argumenta Deliane.

Já começou

Municipal. Cerca de cem servidores da Prefeitura de Belo Horizonte paralisaram ontem as atividades para debater o valor do reajuste salarial único para todos os funcionários municipais. Uma passeata também foi realizada até a porta da sede do Executivo.

Estadual. Já o Sindicato dos Metroviários de Minas paralisou por 24 horas para chamar a atenção para possível privatização do setor na capital.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave