Os comandantes da dupla e a venda do Mineirão

iG Minas Gerais |

Depois de Seminário sobre a Copa do Mundo na PUC São Gabriel, no sábado, futuros colegas jornalistas pediram que eu comparasse os treinadores que comandam a dupla mais forte do nosso futebol. Não comparei, mas disse o que penso de um e de outro. Paulo Autuori e Marcelo Oliveira empataram no único confronto que tiveram até agora à frente de Atlético e Cruzeiro e podem voltar a se enfrentar numa eventual final do Campeonato Mineiro. Diferenças Ambos são estudiosos do futebol; Marcelo foi um grande atacante, mas depois que parou de jogar se afastou do dia a dia do futebol para se dedicar à família e outros negócios. Autuori não jogou, mas nunca interrompeu a sua trajetória profissional no futebol e tem a carreira de treinador mais longa. O fato de ter começado mais tarde que o normal a atividade como treinador só atrasou a chegada de Marcelo ao seleto grupo de treinadores que só dirigem clubes de expressão. Mas ele chegou rápido, em comparação com quem tem o mesmo tempo de “beira de gramado” que ele. Ótimo começo na base do Atlético, ótima passagem, ainda que curta pelo profissional do próprio Galo e o sucesso nacional à frente do Coritiba, depois de um período lá mesmo, como auxiliar do Ney Franco. Duas vezes vice-campeão da Copa do Brasil e, na sequência, campeão brasileiro com o Cruzeiro de forma surpreendente e espetacular. Mais rodado Autuori passou por alguns dos maiores clubes do país, foi campeão da Libertadores com o Cruzeiro e do Mundial com o São Paulo. Foi trabalhar no exterior e não teve uma volta feliz no comando do Vasco e do São Paulo. Os dois enfrentaram forte rejeição dos torcedores dos respectivos clubes quando foram anunciados. Possivelmente o comandante do Atlético tenha sofrido mais nesse aspecto, porque somente agora, depois de bons resultados, é que a maioria da torcida começa a parar de pegar no pé dele. Marcelo chegou a pensar em desistir e agradecer o convite do presidente Gilvan de Pinho Tavares, que bateu pé e o convenceu de que era a grande oportunidade da vida dele como técnico. Movimentos nas redes sociais, na imprensa, no portão da Toca da Raposa e até ameaças de morte tentaram fazer o presidente cruzeirense recuar na escolha. Confiança no taco O desafio foi aceito, e logo no primeiro jogo oficial a ira de grande parte dos cruzeirenses virou passado. Vitória sobre o Atlético na abertura do Campeonato Mineiro e inauguração do Mineirão. O passado de um e de outro no maior rival certamente foi o maior motivo da rejeição inicial a ambos, mas os resultados dentro de campo, quando vêm, cuidam de resolver situações como essas. Marcelo não tem que provar mais nada aos cruzeirenses; Autuori faz muito boa campanha na Libertadores e está mudando o jeito de o Atlético jogar, para melhor. Nem uma possível perda do campeonato estadual provocará turbulência em seu trabalho, já que ele tem o apoio do presidente Alexandre Kalil. De três, duas fora! Saiu ontem na coluna “Radar”, do site da revista “Veja”, que o Mineirão está à venda: das três empreiteiras donas do Consórcio Minas Arena, mais uma está jogando a toalha: “Alguém quer? – Depois da Egesa, agora é a vez de a HAP querer vender a sua parte no Mineirão. As empresas formam, junto com a Construcap, o Consórcio Minas Arena. Está difícil encontrar comprador – gerir estádios de futebol no Brasil, com as fracas médias de público dos campeonatos, não tem sido fácil”. Negócio complicado Mas não existe uma cláusula no edital que prevê que o governo de Minas compense eventuais prejuízos? Difícil entender esse confuso negócio entre as empreiteiras e o governo mineiro. A verdade é uma só: caso Atlético e Cruzeiro se entendessem, a hora seria agora para dividirem o bolo e ficarem com a parte do leão das arrecadações do Mineirão. Como lhes foi prometido pelo então governador Aécio Neves.

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