Filme opta por mostrar relações de modo simplório

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Imogen Poots e Zac Efron protagonizam a comédia romântica
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Imogen Poots e Zac Efron protagonizam a comédia romântica

SÃO PAULO. Até pouco tempo, a comédia romântica representava uma espécie de reserva de dignidade dentro do cinema comercial norte-americano. Era um gênero de filmes que, mesmo quando insatisfatórios, não envergonhavam a linhagem estabelecida com “A Loja da Esquina” (1940), de Ernst Lubitsch, e popularizada com “Harry e Sally – Feitos um para o Outro” (1989), de Rob Reiner. 

“Namoro ou Liberdade” é de outra linhagem. Aquela pensada unicamente para celebrar as virtudes da monogamia e da ideia de príncipe encantado (não à toa o filme-referência é “Jerry Maguire”, um adoçante de bistrô).

Os casais enamorados – de preferência heterossexuais, pois o gênero respeita a condição patriarcal da sociedade – vão ao cinema e saem acreditando no amor eterno.

Na trama, vemos três amigos que, movidos por desilusões amorosas e por um princípio hedonista, resolvem celebrar a galinhagem como principal meta de suas vidas. Mas com meia hora de filme já sabemos que o destino final dos personagens é a união com o sexo oposto, que homens só se completam com mulheres, e vice-versa. Incluindo aí os medos e patologias inerentes à heterossexualidade masculina segundo esse tipo estereotipado.

Isso não é um problema em si, pois é regra no gênero essa previsibilidade, e também a maneira de lidar com estereótipos do macho e da fêmea (a fêmea ideal tem de ser entusiasta do modo de vida masculino, jogar videogame e falar palavrões... uau!).

O problema ocorre quando os mecanismos escolhidos para se mostrar tamanho determinismo emocional são os mais simplórios, como se acompanhássemos o destino de ratinhos de laboratório submetidos a algum teste de comportamento.

Nesse terreno estamos muito distantes dos testes explorados pelo falecido Alain Resnais em filmes como “Meu Tio da América”. Nesse caso, o racionalismo não impede a verdadeira emoção. Resnais, afinal, filma seres humanos com toda complexidade. Em “Namoro ou Liberdade”, o que temos? Emoções pré-fabricadas. Reações de cartilha que só fazem sentido para quem nunca se relacionou de verdade com o mundo.

Mais estreias

“A Música Nunca Parou” Direção de Jim Kohlberg. Filme sobre a relação de um pai e um filho chega com três anos de atraso aos cinemas do país. Trilha sonora é ponto alto.

“S.O.S.Mulheres ao Mar”

Direção: Cris D’Amato . Filme foi gravado durante um cruzeiro de verdade e mostra cenas de cidades europeias, como Roma e Veneza.

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