Faces do artesanato mineiro

Obras de artistas espalhados por diversas regiões de Minas Gerais são expostas no Centro de Arte Popular - Cemig

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Diversidade. Mostra acolhe trabalhos feitos com materiais como madeira, cerâmica e pedra-sabão
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Diversidade. Mostra acolhe trabalhos feitos com materiais como madeira, cerâmica e pedra-sabão

Gerações de ceramistas, escultores e bordadeiras residentes em Minas Gerais ocupam o espaço expositivo do Centro de Arte Popular-Cemig com criações que revelam a vasta tradição artística encontrada em várias regiões do Estado. Acolhidas na mostra “A Imaginação da Matéria de Minas”, aberta hoje ao público, as obras apresentam um panorama dessa diversidade que tem suas raízes espalhadas pelo Vale do Jequitinhonha, pelas regiões em torno do rio São Francisco, pelo Campo das Vertentes e pela Zona da Mata, entre outros.

Organizada pelos curadores Flávio Vignoli e Maza de Palermo, a exposição dá visibilidade a nomes como Maria de Lourdes Gonçalves Lopes, Eduardo Ramon Lobato, Rômulo Silva e Rosane Pereira, os quais representam diferentes ofícios realizados por artistas durante séculos.

Em Pirapora, por exemplo, Maria de Lourdes Gonçalves Lopes entalha a madeira encontrada em galhos para dar forma a curiosas carrancas. O estilo, de acordo com ela, se inspira em uma vertente das mais antigas. “Meu marido na década de 1960 era comandante daqueles barcos a vapor que transitavam pelo rio São Francisco e ele me apresentou algumas carrancas que tinham um desenho muito primitivo. Elas exploravam, como as outras, aquela mistura entre formas humanas e animais”, conta a artista, que já expôs cerca de 50 trabalhos desse tipo em Brasília.

Já Eduardo Ramon Lobato desenvolve uma pesquisa com madeiras do cerrado com as quais concebe esculturas diversas. Aqui ele expõe uma escultura de São Sebastião feita em tronco de pequi. “Essa peça faz parte de uma série em que eu me baseio em santos guerreiros. Além de São Sebastião, já retratei São Jorge e São Miguel Arcanjo”, relata ele.

Rômulo Silva, por sua vez, produz também imagens sacras, mas usando a pedra-sabão. Nesse segmento há 25 anos, Silva diz que se dedica a outros temas empregando a técnica aprendida com o primo. “Eu conheci esse trabalho com ele, mas a minha cidade, Coronel Xavier Chaves, tem muitas outras pessoas que desenvolvem criações semelhantes. Em junho, por exemplo, será realizado lá a terceira edição do festival de escultura em pedra”.

Para o curador Flávio Vignoli, artistas como esses ilustram a riqueza das artes e do artesanato mineiro. Conhecidos durante viagens realizadas entre janeiro e fevereiro deste ano, somando cerca de 40 dias, ele ressalta como cada um chama atenção pela qualidade do que apresenta.

“Todos em sua peculiaridade e uso de materiais, trazem um olhar e um conhecimento que é próprio e difundido em determinada região. Há uma riqueza de detalhes e propostas que vai permitir ao público escolher a linguagem com a qual mais se identifica”, observa Vignoli.

Ele, em seguida, acrescenta a importância de ressaltar o coletivo de artistas. “Esse projeto também visa provocar os mineiros a conhecer mais aquilo que nós temos de grande valor cultural, mas que às vezes passa sem o reconhecimento merecido”, diz o organizador.

Agenda

O quê. Exposição “A Imaginação da Matéria de Minas”

Quando. De hoje a 20/4; 3ª, 4ª e 6ª, das 10h às 19h; 5ª, das 12h às 21h; sáb. e dom., das 12h às 19h

Onde. Centro de Arte Popular - Cemig (rua Gonçalves Dias, 1.608, Funcionários)

Quanto. Entrada franca

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