Adesão de Minas é lenta

Marta Suplicy, que entregou cartões do benefício em B H, diz que apenas 173 empresas estão cadastradas no Estado

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Acesso. A empreendedora Angela Gutierrez acompanha a entrega simbólica de Vale-Cultura pela ministra Marta Suplicy a funcionário
Douglas Magno / O Tempo
Acesso. A empreendedora Angela Gutierrez acompanha a entrega simbólica de Vale-Cultura pela ministra Marta Suplicy a funcionário

“Eu vou ao teatro de rico”. Foi essa a resposta que uma ascensorista disse à ministra da Cultura, Marta Suplicy, quando questionada sobre o que ela faria com os R$ 50 mensais que ganharia com o cartão Vale-Cultura, benefício incentivado pelo governo federal, por meio de isenção de encargos, para trabalhadores de empresas cadastradas no projeto.

A ministra, que esteve presente ontem em Belo Horizonte para entrega simbólica de cartões do programa para empregados da Caixa Econômica Federal, contou a história para ilustrar o principal objetivo do Vale-Cultura: gerar acessibilidade. “O Vale dá acesso a quem não tem condição de escolha”, afirma a ministra.

Atualmente, 367.534 brasileiros têm essa opção. Eles recebem o recurso e podem gastá-lo (o crédito é cumulativo e não tem data de validade) em ingressos para shows, teatro, circo, compra de livros, jornais, revistas e DVDs, para pagar cursos de artes e, até mesmo, para adquirir instrumentos musicais.

Além dos trabalhadores da Caixa, os funcionários do Museu de Artes e Ofícios (MAO), do Instituto Cultural Flávio Gutierrez (ICFG) e do Ateliê Ferro Fogo – Arte em Ferro Forjado também receberam os cartões, durante a solenidade. Mesmo assim, o número de empresas mineiras que aderiram ao programa ainda não é satisfatório. “Minas Gerais está aderindo em um ritmo um pouco devagar. Do total das 1.540 empresas já cadastradas, somente 173 são mineiras. É um número muito baixo”, afirma a ministra.

Para melhorar esse cenário, Marta Suplicy afirma que contará com o apoio do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, com quem se encontrou em sua visita à capital mineira. “O prefeito vai ajudar conversando com empresários locais”, garantiu. Para o trabalhador ter acesso ao recurso, a empresa em que trabalha deve se cadastrar no programa.

No evento, estavam presentes o vice-presidente de Operações Corporativas da Caixa Econômica Federal, Paulo Roberto dos Santos, a presidente da ICFG, Angela Gutierrez, e o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Angelo Oswaldo.

Para Angela, o Vale-Cultura é algo que estava adormecido e agora vem modificar a vida dos brasileiros. “O benefício sintetiza todas as palavras mágicas que militantes culturais, como eu, trabalham com constância: descentralização, democratização e acessibilidade”, afirma Angela.

Durante o discurso, Santos mostrou o posicionamento da Caixa Econômica Federal como incentivadora da cultura. “Para a Caixa, é mais que uma mera atribuição como empresa pública investir na cultura, faz parte de nossas diretrizes. Entre os 23 mil empregados do banco, 17 mil já possuem o cartão”, disse. Em Minas Gerais, a adesão de funcionário do banco é de 86,9%.

Ele terminou o discurso com uma novidade. “Além de beneficiária (empresa que disponibiliza o cartão para os empregados), a Caixa é também uma operadora (responsável por produzir, distribuir e gerenciar os cartões magnéticos). Essa é uma forma de incentivar ainda mais o projeto”, afirma.

A iniciativa vai ao encontro do caminho de desenvolvimento do Vale-Cultura. O objetivo é conseguir cada vez mais beneficiários e operadoras. Mesmo ainda no início, o programa já é vitorioso para Marta Suplicy. “O grande marco do governo de Dilma Rousseff na cultura é o Vale-Cultura”, afirma a ministra.

Como funciona

Para que o trabalhador tenha acesso ao cartão do Vale–Cultura, é preciso que a empresa na qual trabalha se cadastre no site do MinC (www.cultura.gov.br/valecultura). Feito isso, a empresa poderá oferecer a todos os seus empregados o benefício, com prioridade para aqueles que recebem salários menores. O funcionário poderá optar ou não em ter o cartão, que será mensalmente recarregado com R$ 50, cumulativo, para consumo cultural. A empresa pode cobrar até 10% do valor do benefício em folha de pagamento do trabalhador que recebe até cinco salários mínimos. Para aqueles que recebem valor acima disso, o desconto é de 20% a 90% e obrigatório.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave