Metroviários descartam início de greve, mas não têm posição do governo

Em audiência de mediação no Ministério Público do Trabalho, representantes do governo de Minas e do governo Federal não compareceram

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas/Carolina Caetano |

O Sindicato dos Metroviários e Conexões do Estado de Minas Gerais (Sindimetro-MG) descartou a possibilidade de iniciar uma greve, durante a paralisação de 24 horas realizada nesta quarta-feira (19) para chamar a atenção quanto a uma possibilidade de privatização do setor em Belo Horizonte.

Por volta das 10h50, a procuradora do trabalho Luciana Marques do Coutinho recebeu representantes do Sindimetro-MG e da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) para uma audiência de mediação. A CBTU alegou que não pode negociar a questão, porque não é de sua competência, mas sim dos Ministérios das Cidades e do Planejamento. A Trem Metropolitano de Belo Horizonte S.A. (Metrominas), o Advogacia Geral do Estado e a Advogacia Geral da União foram convidados para participar da audiência, mas não compareceram.

Como não houve um consenso entre as partes na reunião, que durou 1 hora, a procuradora vai determinar a abertura de um procedimento chamado “Notícia de Fato” para que sejam investigadas as denúncias feitas pelo sindicato.

O Sindimetro-MG teme pela demissão em massa de 1.100 funcionários e pelo aumento das passagens, caso o metrô da capital seja privatizado.

Cerca de 300 metroviários continuam na frente da sede do do Ministério Público do Trabalho, no bairro Funcionários, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Os representantes do sindicato informam a categoria a situação e já agendaram uma nova assembleia para a próxima terça-feira (25). “Queremos avaliar se o ato de hoje surtiu efeito”, explicou o conselheiro fiscal do Sindimetro-MG, José Geraldo Alves.

Na manhã desta quarta, desobedecendo uma liminar da Justiça para que 70% da frota funcionasse no horário de pico, os metroviários cumpriram a promessa e fazem uma paralisação geral. Com isso, muitos passageiros optaram por usar o Move e as estações no novo sistema ficaram lotadas.

De acordo com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), todas as estações estão com as portas fechadas. Com a paralisação de alerta, pelo menos, 230 mil usuários devem ser prejudicados até o fim do dia.

No fim da noite dessa terça-feira (18), a categoria já havia decidido por parar totalmente com as atividades mesmo com a CBTU conseguindo pelo Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais o documento que previa o funcionamento de no mínimo 70% dos trens, no horário de 5h30 às 9h e das 17h às 20h, e de no mínimo 50% nos demais horários. A multa para o descumprimento da liminar é de R$ 50 mil por dia.

A paralisação de 24 horas é para manifestar contra a privatização do setor na capital, uma vez que o metrô deve passar a ser administrado pela Metrominas. Segundo sindicato, a categoria não tem informações sobre o novo sistema que pode, segundo eles, causar o aumento da passagem e o desemprego de funcionários.

O grupo começou uma passeata por volta das 9h. O ato iniciou na praça da Estação, no centro da cidade,  e foi até a sede do Ministério Público do Trabalho, na avenida Bernardo Guimarães. A Polícia Militar acompanha o protesto, que acontece de forma pacífica.