Emanuel quer unir atletas e cobrar explicações da CBV

Intenção da conversa é cobrar explicações de Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca, presidente da CBV, depois da renúncia de Ary Graça

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

Ex-companheiro e amigo para a vida toda, Alison costuma se referir a Emanuel como "O Pelé do Vôlei de Praia". Não é para menos. Aos 40 anos, o veterano coleciona três medalhas olímpicas - uma de cada cor - e é o maior campeão da história do vôlei de praia, tendo ultrapassado recentemente a marca de 150 títulos. O papel desempenhado por Emanuel, porém, vai muito além das areias.

No ano passado, Emanuel foi eleito, por aclamação, o presidente da primeira Comissão de Atletas do COB e, desde a alteração feita no estatuto do Comitê Olímpico Brasileiro no mês passado, tem direito a voto na Assembleia Geral da entidade.

No vôlei ainda não há esta organização, mas, no que depender de Emanuel isso é só questão de tempo. Expoente da praia, ele mal chegou ao Brasil depois dos Jogos Sul-Americanos de Santiago e promete correr para ligar para Murilo, capitão da seleção masculina de vôlei e marido de Jacqueline, um dos principais nomes do time feminino. A intenção da conversa: cobrar explicações de Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca, presidente da CBV depois da renúncia de Ary Graça.

AE - Como os atletas reagiram às denúncias de desvio de verba na CBV?

Emanuel - Agente faz o nosso trabalho sem ninguém colocar em duvida o trabalho de técnico, jogadores e o pessoal operacional. Essas notícias não podem tirar a noção de esporte de rendimento, não podem nos afetar. Limpar a casa demora um pouco. Peguei o telefone do Murilo para gente se unir.

AE - Vocês pretendem cobrar que a CBV se explique?

Emanuel -Eu acho que é isso também. O fator agora é querer que o nosso presidente se explique. A gente precisa ouvir o nosso presidente, o Toroca. Ele tem que se pronunciar, para que a gente fique mais tranquilo. O nosso presidente tem que indicar, para a gente, o que está acontecendo.

AE - Podemos apontar você como um líder dos atletas?

Emanuel -Um tempo atrás conversei um pouco com o Ricardo e a gente compartilha do mesmo pensamento. A gente já foi ao encontro do Radamés (Latari, diretor de eventos da CBV) para conversar, mas depois que fui para os Jogos Sul-Americanos houve outros anúncios. Eu e Ricardo a gente compartilha o mesmo pensamento.

AE - O Banco do Brasil patrocina não só a CBV como atletas individualmente e você é um dos patrocinados. Teme que essa crise afete diretamente os atletas?

Emanuel -Estou sem contrato, mas continuo sendo atleta Banco do Brasil. Eu tive algumas conversas com o BB. Me senti muito seguro sobre o posicionamento sobre o esporte vôlei. Todas as entregas que o vôlei entregou foram excelentes. Estamos há dois anos da Olimpíada. Essa mudança estratégica é difícil, porque faz parte dos planos do banco, pensados a longo prazo, por muito tempo. Não é assim, mas as coisas tem que ser esclarecidas na parte executiva.

AE - Você voltou dos Jogos Sul-Americanos com função dupla fora de quadra. Não tem apenas a crise na CBV. O COB tem sido muito criticado por não oferecer um seguro por invalidez para a Lais Souza. Como presidente da Comissão de Atletas, o que você pode fazer?

Emanuel -Como eu estava nos Jogos e cheguei na segunda, ainda estou tentando me colocar a par. Não sei como é o processo todo, mas eu vou tentar falar mais com o Marcus Vinicius Freire (homem forte do COB). Da parte da Comissão, seria bom colocar em pauta para saber como agir numa próxima vez. Preciso saber mais dos fatos, mas já vou colocar em pauta para que seja exemplo para não acontecer mais.

AE - A Comissão de Atletas tem se reunido?

Emanuel -Os 14 foram eleitos, se não me engano, dia 28 de fevereiro do ano passado, e fizemos uma reunião para a gente se conhecer. Depois, não nos encontramos mais. No segundo semestre a maioria dos atletas ainda está em atividade, não teve calendário. Agora queremos nos encontrar daqui um mês, quando está todo mundo no Brasil.

AE - Qual é a função dessa Comissão, na prática?

Emanuel -Nesses últimos dois meses eu estou indo pessoalmente ao COB toda terça-feira para, junto com a parte de logística e legado do COB, fazer um plano de ação, definir a nossa missão, definir como se comportar perante às confederações. Até hoje não fui, tenho que ir, para finalizar esse processo todo. Estou pegando um processo que não tem definição, que não sabe quais os poderes.

AE - O que muda com os atletas tendo direito a voto no COB?

Emanuel -Esse é um dos motivos pelos quais tenho que criar uma missão para nós, uma vez que temos votos junto com as demais 28 confederações e temos que saber lidar com eles. O nosso primeiro projeto é sobre embaixadores. A gente quer ter o comando de toda a demanda de participação de atletas em eventos. A gente não tem nada. A gente não existe para o COB. Hoje a gente é só uma comissão que não tem um intuito.

AE - Toda essa atividade política como atleta vai te levar a ser dirigente?

Emanuel -Eu tenho feito alguns cursos dentro do COB. Não me vejo dentro da CBV. Me vejo no esporte de alto rendimento. Já passei por tantas experiências, tenho que utilizar para dar continuidade dentro do vôlei. O vôlei de praia é novo, precisamos passar por vários problemas. Já tivemos muitos e ainda vão vir muitos outros.

AE - E como você pretende que se dê esse processo de transição? Você acredita que, até por conta da crise da CBV, os atletas que estão em fim de carreira podem chegar logo ao comando da entidade?

Emanuel -Precisa ter capacitação. Não dá para sair da quadra direto para a gestão executiva, só para a parte operacional. Os primeiros passos são no operacional e deixar para quem entende a parte executiva, que o atleta não tem essa capacidade ainda.

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