O craque enxuto

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Rivaldo, um dos grandes do futebol brasileiro, anunciou o fim de sua carreira. Ele foi um craque diferente, dentro e fora de campo. Os grandes craques mostram, desde o início, que têm tudo para se tornar fenomenais. Rivaldo era um excelente jogador, mas nunca imaginei que seria o melhor do mundo. Rivaldo era um craque essencialmente técnico. Passava e finalizava com extrema eficiência. Em seu estilo, não havia lugar para firulas nem efeitos especiais. Era um craque enxuto, minimalista. Mesmo o belíssimo e famoso gol de bicicleta, de fora da área, quando jogava pelo Barcelona, só ocorreu porque era o único recurso que tinha no momento. Por jogar com a cabeça baixa, por precisar ajeitar o corpo para passar a bola do pé direito para o esquerdo e por ter um globo ocular saliente, com os olhos no fundo, que diminuem seu campo visual, Rivaldo contrariou as teses e regras sobre um grande jogador. Ele não parecia craque. Era craque. Fora de campo, Rivaldo mantinha o estilo. Não tinha pose de estrela, não gostava de dar entrevistas nem de badalações. Parecia um operário, que treinava, jogava, brilhava e, depois, ia para seu canto. Sua vaidade era se sentir desimportante. No Barcelona, quando foi eleito o melhor de mundo, Louis van Gaal, atual treinador da seleção da Holanda, pedia para Rivaldo jogar pela esquerda, como um ponta. Ele ia para o centro, no momento certo, e decidia as partidas. Assim como surpreendeu ao se tornar, rapidamente, o melhor do mundo, Rivaldo, em pouco tempo, passou a ser um jogador comum, como era no Cruzeiro, em 2004, dois anos depois de assombrar o mundo. Até nisso ele foi diferente. Certa vez, em uma cobertura da seleção, a “Folha” combinou com Rivaldo uma longa entrevista. Eu estaria com os repórteres. Rivaldo exigiu que eu não estivesse presente, contrariado com críticas que tinha feito a ele dias antes. Não fiquei chateado nem surpreso. Os atletas aceitam muito mais críticas de um jornalista que não foi jogador do que as mesmas críticas feitas por um ex-atleta. Acham que deveríamos ser condescendentes, corporativistas, o que, com frequência, acontece. Há ex-jogadores comentaristas que pedem até desculpas, licença, para criticar um atleta. Os treinadores também não gostam de ser contestados. São, geralmente, paparicados. Muitos comentaristas, ex-atletas ou não, acham que tudo o que acontece em um jogo é consequência de ação dos treinadores. Calendário. Achei sensatas e corretas as propostas do Bom Senso FC para mudar o calendário. CBF, TV Globo, federações e clubes precisam se manifestar. Mas nosso futebol só irá evoluir quando os dirigentes e sua turma, que comandam há décadas o esporte, forem substituídos por profissionais competentes e independentes.

Galo e Raposa

Não foi publicado, no domingo, o que escrevi sobre as atuações de Cruzeiro e Atlético na Libertadores. O Galo está um pouco melhor, fora de casa, do que estava no ano passado, e, em casa, um pouco pior. É um dos fortes candidatos ao título, mas é difícil ser bicampeão em qualquer competição. O Cruzeiro jogou muito mal contra o Defensor e está em uma situação perigosa. Precisa ganhar os dois jogos em casa e, provavelmente, empatar a partida fora. Nunca imaginei que iria sentir muitas saudades de Borges. Prefiro Júlio Baptista a Marcelo Moreno. Júlio Baptista é ótimo também nas jogadas aéreas e tem mais habilidade. Lucas Silva volta ao time. Fica melhor. Com Rodrigo Souza e Nilton, o meio-campo estava muito pesado.

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