Universo em puro encanto

“Na Medida do Impossível”, seu segundo disco solo, Fernanda Takai amplia conceitos de diversidade

iG Minas Gerais | Ludmila Azevedo |

Versátil.Fernanda Takai reuniu mundos bastante distintos para gravar seu novo trabalho e, ao longo de 13 faixas, revelou sua personalidade
brunno senna/ divulgação
Versátil.Fernanda Takai reuniu mundos bastante distintos para gravar seu novo trabalho e, ao longo de 13 faixas, revelou sua personalidade

O novo álbum de Fernanda Takai, “Na Medida do Impossível”, que acaba de sair do forno, se situa num lugar muito particular entre uma letra escrita para um parceiro, uma canção que ficou na memória, a vontade de trabalhar com um determinado artista ou de dar um novo tratamento a um hit pop. “Esse meu segundo disco foi bastante pensado e escolhido. Só de citar os nomes envolvidos, ele parece improvável, uma coisa maluca, mas ouve uma costura invisível para mostrar um pouco dessa minha história de ouvinte, cantora e compositora”, explica. A geleia geral contou com ingredientes de universos musicais distintos como Samuel Rosa, Marina Lima, Pitty, Zélia Duncan e padre Fabio de Melo, para citar alguns, contribuindo nas 13 faixas. “Com exceção da Zélia, nunca havia gravado com nenhum. É estranho porque sempre estive tão perto de muitos deles, especialmente das bandas de Belo Horizonte (PJ, do Jota Quest, e Glauco, do Tianastácia, também contribuem com baixo e bateria). Acredito que esse é o primeiro passo em direção a mais encontros”, considera a cantora. Alguns apontamentos desses encontros marcados de diversas maneiras – de camarins de shows a skype, passando por almoços no Xapuri – vão além de “Na Medida do Impossível”. “A Pitty mesmo estava começando a trabalhar no disco novo dela. Tive que ir a São Paulo, pois estava tudo muito corrido. Essa nossa parceria na composição acabou naturalmente disparando um gatilho para que muita coisa caminhasse”, lembra. Não existe nada nessas supostas impossibilidades que não tenham rendido uma boa história para Fernanda Takai contar. “Porque é um misto de admiração e vontade de levar um sonho adiante. Foi pouco tempo para executar tudo. Fechei o repertório em março do ano passado e o disco foi feito entre setembro e dezembro”, conta. Da coleção, sem dúvida, uma das canções vinha despertando curiosidade antes mesmo da audição: “Amar como Jesus Amou”, de padre Zezinho, cantada juntamente com padre Fabio de Melo. A notícia da dobradinha, quando ganhou as redes sociais, teve sua cota de “pré-conceito” típico de alguns usuários. “Quando eu estudava em escola católica, tocava essa música no violão. Sabia que poderia não haver consenso quanto às minhas escolhas. Eu li alguns desses comentários, as pessoas têm direito de opinar, mas também sempre existirá algum tipo de patrulhamento. O fato de gravar uma música com um padre pop iria despertar algo, mas me espanta ainda quando as pessoas falam mal antes de ouvir”, considera. Aliando uma harmonia vocal entre a cantora e o padre, está o arranjo do japonês Toshiyki Yasuda que reproduz, sem perder a ternura, efeito de joguinhos eletrônicos. “Todas as músicas têm essa ideia. Em alguns momentos, brinco que fomos buscar mini superpoderes para enxergar possibilidades maiores que as canções poderiam oferecer”, afirma. Maturidade. Se em “Onde Brilhem os Olhos Seus”, o primeiro voo solo, feito com o repertório eternizado por Nara Leão, um ícone da Bossa Nova com um timbre vocal similar ao da vocalista do Pato Fu, ouvia-se um conjunto sofisticado e bem-amarrado, a artista manteve em “Na Medida do Impossível” essa aura, aliando ousadias necessárias na música pop e maturidade. “Eu só fiz esse disco porque tenho 42 anos, dos quais 22 são dedicados à minha carreira, e dei muito ouvido às minhas vontades. Qualquer pessoa próxima poderia me derrubar com uma opinião em outros tempos. Nesses últimos dois, três anos fui fiel ao que estava sentindo, a essa minha intuição musical variada e ao desejo de consolidar parcerias com uma linguagem pop” explica. Nesse sentido, tesouros musicais são revelados e preservados em alternância. “Em ‘Mon Amour Meu Bem Ma Femme’ minha intenção era fazer um registro digno, fino, à altura do Reginaldo Rossi. Eu sou uma artista que cantou com Erasmo Carlos, Gaby Amarantos e Duran Duran e cada encontro desses é um exercício, um desafio de deixar a minha personalidade da maneira mais natural possível. Por isso, talvez, esse seja o trabalho que mais me represente artisticamente”, finaliza.

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