Uma boa trama e nada além disso

“Scandall” e “Revenge” não trazem grandes atuações, nem boa direção

iG Minas Gerais | Isis Mota |

Kerry Washigton Emily VanCamp estão à frente das novelas viciantes da ABC
abc/divulgação
Kerry Washigton Emily VanCamp estão à frente das novelas viciantes da ABC

Não espere uma fotografia impecável ou uma trilha sonora inesquecível, nem planos-sequência cinematográficos e interpretações marcantes (com raras exceções). Dois dos maiores sucessos da televisão aberta norte-americana (e da TV paga brasileira), “Scandal” e “Revenge” se sustentam em apenas um pilar: o bom e velho folhetim. Como nem só de história vivem os fãs, ambas vêm embrulhadas para presente, em rostinhos bonitos, peles perfeitas, figurino de tapete vermelho e interiores de capa de revista.

As protagonistas são lindas: a loura Emily VanCamp em “Revenge” e a negra Kerry Washington em “Scandal”. As semelhanças entre elas não param na beleza. Infelizmente, compartilham da mesma pobreza no que diz respeito à interpretação. Para ambas, ao que parece, atuar se resume a beicinhos e sobrancelhas franzidas, além de pequenas alterações no tom de voz.

Para a audiência fiel, porém, isso é o que menos importa. “Revenge” e “Scandal”, não por acaso produzidas pela mesma ABC, estão aí para mostrar que, quando a história é boa, qualquer carinha bonita segura. As duas novelas reúnem os mesmos elementos, com personagens muito distantes do público “comum”.

“Revenge” retrata a vida nos Hamptons, a badalada estação de veraneio dos milionários de Nova York. Um mundo em que, quando um casal quer ficar longe da sogra chata, pega um jatinho e vai para Paris. Em “Scandal”, temos nada mais, nada menos que o presidente dos Estados Unidos, a primeira- dama e todo o seu staff, além de assessores com acesso liberado – desde a vida sexual à política internacional. Um universo no qual a gestante ganha um enxovalzinho de 32 peças bordadas à mão, dado “apenas” pela rainha da Inglaterra.

Em “Revenge”, Emily Thorne (Emily VanCamp) empenha até o ar que respira na missão de expor todos os podres e destruir as pessoas que acabaram com a vida do pai dela, e, de tabela, com a sua. Em “Scandal”, o oposto: Olivia Pope (Kerry Washington) faz das tripas coração para preservar a imagem pública da elite da capital federal – inclusive do presidente, seu ex-atual-futuro amante.

Reviravoltas. Nas duas, o ritmo dos acontecimentos é de enlouquecer. Um episódio perdido e quem era amigo já é traidor, quem era bobinha virou megera, e a situação mais mirabolante, mais sem saída, é solucionada graças a uma safadeza ou crime de algum personagem. Em ambas, o dinheiro manda, a corrupção é inevitável, alguém sempre tem uma identidade secreta, o público é levado a especular quem matou, e ninguém é de todo bom ou de todo mal, todo mundo tem sujeira debaixo do tapete – o que aproxima os personagens do telespectador.

E é essa empatia que dá a “Revenge” mais de 8 milhões de espectadores, e coloca mais de 10 milhões de pessoas desavergonhadamente apaixonadas pelo melodrama “Scandal” (números da estreia das atuais temporadas). Os responsáveis pelos roteiros das series são, respectivamente, Shonda Rhimes e Mike Kelley, ambos na casa dos 40 anos.

Os maiores destaques da carreira de Kelley são “Swingtown” (2008) e “Providence” (1999). A indústria da fofoca norte-americana conta que ele largou “Revenge” no ano passado, revoltado com a obrigação de temporadas com mais de 20 episódios, o que teria levado a uma queda de qualidade na trama.

Já Shonda Rhimes segue firme e forte com “Scandal”. A seu favor, ela tem o peso de “Grey’s Anatomy” e alguns prêmios no currículo, além de uma inspiração bem real: o que se diz por aí é que Olivia Pope é baseada na ex-assessora de imprensa do governo de George H. W. Bush, Judy Smith.

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