Professor da UFMG move ação contra Centro Acadêmico

Francisco Coelho dos Santos, acusado de assédio moral e sexual contra estudantes, afirmou que relatório de comissão de sindicância não encontrou provas para justificar denúncia

iG Minas Gerais | CAMILA KIFER |

Uma audiência de conciliação entre o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Francisco Coelho dos Santos e o Centro Acadêmico de Ciências Sociais (Cacs), realizada nesta terça-feira (19), terminou com a remarcação de outra reunião. O professor, acusado de assédio moral e sexual contra estudantes, move uma ação contra o Cacs por danos morais. 

Após o encontro desta terça, no Juizado Especial no bairro Santa Efigênia, região Centro-Sul de Belo Horizonte, ficou acordado que as duas partes envolvidas no processo voltarão a se encontra na audiência testemunhal marcada para o dia 28 de março.

De acordo com o professor um relatório produzido por uma comissão de sindicância apontou que não haviam provas para justificar a denúncia. A reportagem de O TEMPO procurou o Cacs que se comprometeu em comentar o caso, mas até às 21h49 não havia se pronunciado.

Santos relatou que sofre com prejuízos de vários âmbitos. “Além do valor material, gasto com advogados, eu também precisei enfrentar o afastamento de colegas de trabalho e alunos”, declara.

“Fui culpado e julgado pela mídia antes mesmo de passar por uma investigação”, encerra o professor.    

Mesmo com a investigação em andamento o professor não foi afastado. Santos permaneceu normalmente com o seu cronograma de aulas, porém, deixou de dar aulas para a turma dos estudantes envolvidos no caso.

Sindicância

As investigações começaram em novembro de 2013 e foram encerradas em dezembro do mesmo ano.

Apoio

Em novembro de 2013, o professor recebeu o apoio documentado e assinado de ex-alunos e colegas por meio de um manifesto.

O documento foi recebido pela Comissão de Sindicância da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), departamento pelo qual o docente da aulas.

O manifesto organizado em apoio relata que os depoimentos dados sobre o professor foram exagerados e distorcidos.

Confira o manifesto na íntegra:

"Nós, alunos, ex-alunos, assim como professores e funcionários técnico-administrativos, colegas e amigos do professor Francisco Coelho dos Santos, reconhecemos a importância e a legitimidade das causas igualitárias que sustentam as discussões sobre o machismo e sexismo, mas repudiamos veementemente as distorções e os excessos a ele dirigidos a partir do dia 10 de outubro de 2013, com efeitos nefastos à imagem e à dignidade dele. Oferecemos nosso testemunho da importância acadêmica que a atividade docente por ele exercida na UFMG representa para a formação de centenas de alunos em nível de graduação, mestrado e doutorado. Nessas condições firmamos nosso decidido apoio ao professor, ao seu livre exercício profissional e à continuidade de sua atividade docente".      A Comissão de Sindicância da Fafich tem até o dia 22 de novembro deste ano para apresentar o resultado da apuração, mas pode ser que o prazo seja prorrogado ainda mais.

Relembre

O caso ganhou repercussão depois que comentários supostamente machistas feitos em sala de aula pelo professor foram compartilhados por meio das redes sociais e revoltaram alguns alunos da instituição, que iniciaram uma campanha para afastar os docentes da universidade.

O professor relatou ter sido acusado por uma aula prática do dia 10 de outubro.

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